terça-feira, 7 de julho de 2015

Poesia do Amor e da Vida – Livro

Hoje eu tenho a honra, o prazer e o privilégio de apresentar oGeraldo Chacon Poesia do amor e da Vida livro Poesia do Amor e da Vida de meu amigo e irmão Acadêmico Geraldo Chacon.

Conheci o Chacon nas reuniões de formação do que hoje é a AARALETRAS – Academia Araruamense de Letras da qual ambos somos membros fundadores e Acadêmicos; ele ocupando a cadeira de N° 2 cujo patrono é Machado de Assis e eu ocupo a cadeira de N° 3 que tem por patrono Vinícius de Moraes.

chacon casa de cultura deckamando posseO Geraldo é dono de uma vivência invejável e me surpreendia “pescando” meio que no ar coisas que eu falava, contava ou comentava, na maioria das vezes em tom jocoso  e quando eu menos esperava ele construía um texto ou uma ideia.

Como uma pessoa com a experiência literária, teatral e de vida como ele poderia aproveitar algo de uma pessoa tão inexperiente (ao menos em comparação a ele) quanto eu?Chacon em teatro CAEIRO EM PESSOA, espetáculo construído com poemas de Fernando Pessoa.

Eu confesso que sou meio gozador, às vezes engraçado mas Geraldo Chacon foi o primeiro a dizer-me que sou teatral! E além disso, que sou mais teatral que ele! Isso dito por um dos poucos brasileiros capaz de declamar Os Lusíadas de cor!

A expressão “de cor” vem do latim “cor”, que significa coração, ou seja, do coração onde outrora acreditava-se que ficava a memória do ser humano, e neste caso, tudo que Geraldo Chacon faz vem do coração.

Geraldo Chacon Poesia do amor e da Vida contra capaE do seu coração saiu esta preciosidade que é o livro “Poesia do Amor e da Vida”; uma coletânea de poemas escritos por ele porém compilados por um outro amigo seu chamado Euclydes Rodrigues Júnior que além de agrupar tematicamente os poemas ainda desenhou a capa original que nesta edição histórica foi fotografado pela esposa do Chacon, a bonita e divertida Janice Rugani e foi colocada logo na primeira página. Bendito seja Euclydes onde quer que você se encontre no mundo invisível pois que no visível nos permitiu saborear uma fruta que não tem época e que não tem preço.

Uma degustação…

PARTIDA

Partiste,
Mas até agora não acredito
Pois quem parte sempre fica um pouco
E quem fica vive num infinito.

Eu bem sei
Que esse infinito será vaziopartida-1
Pois quem fica sempre parte um pouco
E apesar do calor, sempre sente frio.

Espero
Que o mundo não te faça sofrer
Porque sempre sofrerá um pouco
O amor que longe do outro viver.

Produzidos entre 1965 e 1969 com seus versos Chacon não só revelam os seus sentimentos mas os sentimentos de uma época.

Para comprar o livro Poesia do Amor e da Vida entre no site da Editora Agbook; você preenche um breve cadastro (nome endereço etc.) imprime um boleto e paga em qualquer casa lotérica (aceitam cartões de crédito também caso prefira) é só clicar aqui.

Espero que vocês gostem tanto quanto eu.

Para visitar o blog do Geraldo Chacon clique aqui.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Resolução – Corajosos.

O belíssimo texto chamado Resolução (Resolution), parteCorajosos (1) integrante do filme “Corajosos” (Courageous) é, dentro do enredo, uma decisão que um pai toma após a perda da filha em um trágico acidente. Após a tristeza inicial ele percebeu o quão afastado de seus filhos estava e o quanto um pai faz falta na vida de seus filhos.

O texto traduzido para o português:

Eu, decido diante de Deus de assumir total responsabilidade por mim mesmo, minha esposa, e meus filhos.

Eu irei ama-los, protege-los, servi-los e ensinar-lhes a Palavra de Deus como líder espiritual da minha família

Eu serei fiel à minha esposa, para ama-la e honra-la, e estar disposto a dar a minha vida por ela como Jesus Cristo fez por mim.

Eu abençoarei os meus filhos e e os ensinarei a amar a Deus de todo coração, toda mente e com toda força.

Eu os ensinarei a honrar a autoridade e a viverem responsavelmente.

Eu confrontarei o mal, perseguirei a justiça, a misericórdia e o amor.

Eu rezarei pelos outros e os tratarei com bondade, respeito e compaixão.

Eu trabalharei com afinco para prover as necessidades da minha família.

Eu perdoarei os que tenham me injustiçado e me conciliarei com todos que eu tenha injustiçado.

Eu aprenderei com meus erros, me arrependerei dos meus pecados, e andarei com integridade como um o homem responsável perante Deus.

Eu procurarei honrar a Deus, ser fiel a sua Igreja, obedecerei a Sua Palavra, e fazer a Sua vontade.

Eu corajosamente trabalharei com determinação com a força que Deus me der para cumprir esta resolução pelo resto de minha vida e para a Sua glória.

O filme Corajosos foi escrito, dirigido e protagonizado por Alex Kendrick (no papel de Adam Mitchell) que também é responsável pela produção dos filmes: A Virada, Desafiando Gigantes e À Prova de Fogo o filme é considerado por alguns Alex Kendrickcomo sendo da categoria “Cristão”, “Gospel” ou “Evangélico”; particularmente eu o considero um drama com alguma característica religiosa, não obstante, Alex Kendrick é um pastor da Igreja Batista Sherwood, em Albany, Georgia – EUA e o filme foi todo rodado no condado de Dougherty e em Albany.

 

Com um custo baixíssimo (cerca de 2 milhões de dólares) usou no elenco, voluntários da Igreja Batista e cidadãos da municipalidade em sua maioria.

É um belo filme e uma bela Resolução se seguido por todos os pais.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Livro Reencontro de Leila Krüger

Olá Pessoal! Paz!
clip_image001
Leila Krüger
 
Todos sabem que vez por outra eu divulgo o trabalho de pessoas especiais dentro do mundo das artes, letras e música.
 
Hoje é a vez da Leila Krüger.
 
Eu conheci a Leila através do Facebook, não tinha intimidade alguma com ela nem mesmo a conhecia pessoalmente. E continuo não tendo e continuo não a conhecendo pessoalmente, mas é como se a conhecesse desde muito, como fosse uma ex-namorada que se tornou uma amiga muito querida ou uma prima distante que era íntima na infância e o tempo separou.
 
Dona de uma inteligência sensível, rara nos dias de hoje, revela em cada postagem no Face um pouco de sua alma, de suas dúvidas e suas certezas. Às vezes ácida, às vezes amargas, mas sempre com a dose certa de doçura feminina sem a qual não seria o sucesso que hoje é no mundo literário.
 
Seu “livro de trabalho” atual é o romance Reencontro.

Leia a sinopse:

clip_image001[4]"…Está bem no fundo. Não se pode alcançar... aos poucos, vai roubando o ar…”  Ana Luiza vai perdendo seu fôlego: o fim de (mais) um grande amor, um pai distante, uma mãe fútil, uma amizade complexa e "pessoas que sempre vão embora". Com suas músicas de rock, seus livros e seus cigarros, Ana Luiza vê sua vida desmoronar. "O amor é uma ferida”, ela sentencia. Mas a “garota de olhar longínquo”  tem um encontro inesperado com um alguém aparentemente muito diferente dela: os “olhos imensos”, que tudo veem...

Presa em seu próprio mundo e rendida ao álcool e às drogas, Ana Luiza tenta fugir. Principalmente do temido amor, que tanto a feriu... Como encontrar, ou reencontrar o próprio destino? Até onde o amor pode ir, até quando pode esperar? O que há além das baladas de rock e dos poemas românticos? Poderá o amor salvar alguém de sua própria escuridão? Às vezes, é necessário perder quase tudo para reencontrar... e finalmente poder amar.
 
Gostou? E tem mais o romance Reencontro de Leila Krüger é repleto de indicações de músicas, poemas, livros e alguns filmes.
 
Se você quiser uma degustação do primeiro capítulo de Reencontro, clique neste link:
 
Ou conecte-se ao Facebook e clique neste link:
 
Lá você encontrará o link para o Primeiro Capítulo de Reencontro da escritora Leila Krüger.
O livro Reencontro está disponível:
 
Nas Livrarias Cultura, Saraiva, Americanas, Submarino, nos Supermercados Extra, em Lojas do Ponto Frio, Casas Bahia e outras lojas online e físicas.
 
Outras Obras de Leila Krüger:
clip_image002
A Queda da Bastilha
 
 
A Queda da Bastilha (Livro de Poemas )
 
"…Da Leitura de A Queda da Bastilha ficam algumas conclusões: a primeira é que a poesia brasileira ganha uma nova e exímia autora; a segunda é que é possível, recolhendo elementos cotidianos, transformá-los em poesia falando deste ente tão extraordinário que é o ser humano…" (Roberto Schmitt-Prym)
 
Disponível:
 
Livraria Cultura, Saraiva, Cia. dos Livros
 
Coração em chamas
Coração em Chamas
Coração em Chamas (Livro de Crônicas).
 
Amar duas pessoas ao mesmo tempo, amar pelo computador, matar por amor, não saber que ama, desistir de amar. Coração em chamas! Apresentam-se aqui dez histórias confessionais de amor e loucura, vividas pelas mais diferentes figuras: uma garota de programa, um padre, um poeta, uma atriz famosa, um milionário e até um amigo do poeta Álvares de Azevedo, do século XIX, entre outros. Eles confessam! Apenas você poderá saber... não conte a ninguém...
 
Disponível em
 
Impresso: Livraria Cultura
 
 
Leila Kruger tirada do Facebook
Leila Krüger
Sobre Leila Krüger:
 
Nasceu em Ijuí, Rio Grande do Sul. É romancista, poeta e contista. Tem poemas e contos em jornais, revistas e portais na Internet. Lançou Reencontro, sua primeira obra, um romance, em 2011 pela Editora Novo Século – SP. Após recebeu premiações nas categorias conto e poesia. Lançou o livro de poemas A Queda da Bastilha na Feira do Livro de Porto Alegre em 2012, pela Confraria do Vento – Rio. Em 2014 publicou o livro de crônicas Coração em Chamas, pela Multifoco – Rio, selo Redondezas Crônicas. Participou de várias antologias de poemas e contos entre os anos de 2011 e 2014.
 
Página no Facebook (sempre atualizada):
 
 
 
 
 
Boa Leitura! Paz!

domingo, 19 de abril de 2015

A Oração do Paraquedista.

 

No dia 27 de junho de 1942, no auge da 2ª Guerra Mundial,Andre Zirnheld morreu André Zirnheld, da Força Aérea Francesa Livre (a

França estava ocupada pelas forças alemãs nazistas e contava com contingentes de franceses livres que lutavam pela liberdade).

André Louis Arthur Zirnheld nasceu em Paris em 7 de Março de 1913 em uma família judaica da Alsácia (leste da França, junto às fronteiras alemã e suíça), pós-graduado em filosofia, e nomeado em 1937 professor de filosofia no Liceu Carnot em Túnis (Tunísia). Em outubro de 1938, ele trabalhou como professor do College of the Mission Secular francês em Tartus na Tunísia.

Com a França envolvida na 2ª Guerra Mundial e posteriormente invadida pela Alemanha de Adolf Hitler, André Zirnheld é destacado para uma bateria antiaérea no Líbano; foi voluntário para combater em solo francês, mas com a rendição Rendição da França 1940da França em 22 de junho 1940 isso foi impossível, então Zirnheld junta-se as tropas da “França Livre” tendo como líder o General Charles de Gaulle e foi enviado para a Palestina à época dominada pela Inglaterra; participando da primeira batalha da FFL (Forces Françaises Libres) em Sidi Barrani (Egito) em 6 de Setembro de 1940.

Em janeiro de 1941, por sua cultura, inteligência, dedicação e patriotismo, Zirnheld é removido da frente de batalha eCharles De Gaulle nomeado vice-diretor do Serviço de Informação e Propaganda no Cairo.

Embora tendo desempenhado excepcional trabalho no SIP, Zirnheld pediu para ser enviado novamente para a frente de batalha. Matriculou-se no treinamento de cadetes da Escola de Aspirantes em Brazzaville no então chamado Congo Belga (Atual República Democrática do Congo).

Destacando-se em seu treinamento, volta ao Oriente Médio em fevereiro de 1942, Zirnheld voluntariou-se para a Companhia de Paraquedistas, incorporada ao esquadrão francês no Serviço Aéreo Especial.

Durante sua primeira missão, Zirnheld comandou uma equipe de quatro homens que realizaram uma incursão ao aeroporto Berka-3 em 12 de Junho de 1942, destruindo seis aviões inimigos no chão. Em seguida, ele recebe, como todos SAS depois de sua primeira missão, a insígnia “Asas Operacionais”  da SAS conhecida como "Asas Egípcias." A seguir sabotou uma rede ferroviária e atacou veículos que levavam prisioneiros da Luftwaffe. Foi então recomendado para receber a condecoração da Cruz Militar.

Sua Quarta e Derradeira Missão.

A quarta missão de Zirnheld foi o ataque ao maior aeroporto de Sidi-Haneish (Aeroporto localizado no Egito, hoje abandonado). O ataque foi realizado na noite de 26 para 27 de Julho de 1942 por dezoito jipes liderados pelo SAS britânico e francês.

Em questão de minutos, os jipes percorreram a extensão da pista destruindo os aviões inimigos estacionados. Trinta e sete bombardeiros e aviões de transporte foram destruídos com a perda de dois SAS britânicos mortos no aeroporto.

Durante a fuga do local do combate, o jeep de Zirnheld foi atingido por tiros e ficou inoperante. Um dos outros jipes, a bordo do qual estava o suboficial François Martin, vem em seu socorro e também foi atingido por tiros, enquanto o resto do comboio abandonou o local.

Os dois jipes foram reparados e voltaram à estrada mas depois “morreram” de novo. Quando o sol nasce, jipes foram enviados parar tentar ajuda-los mas não foram bem Junkers Ju 87 Stukasucedidos. Localizados pela Força Aérea alemã foram bombardeados três vezes seguidas. Três horas mais tarde, quatro bombardeiros alemães Junkers Ju 87 "Stuka" os localizaram e foram severamente metralhados.

André Zirnheld foi atingido no ombro e abdômen. O grupo se escondeu em um barranco e chegou a voltar ao jipe para tentar mais uma vez faze-lo funcionar e salvar a vida de Zirnheld mas os ferimentos eram muito graves para que ele suportasse o transporte. Ele morreu cerca de 13 horas depois.

Seu companheiro no combate François Martin o enterrou respeitosamente e marcou o local com uma cruz grosseira feita de pedaços de caixas de madeira com a inscrição: "Oficial André Zirnheld, morreu pela França em 27 de julho de 1942".

Pouco antes de morrer, ele disse a François Martin: eu vou te deixar….

Tudo está em ordem em mim…

E pediu-lhe para cuidar de papéis e livros guardados em seu equipamento. Então Martin teria descoberto o livro de Zirnheld no qual escreveu a Oração do Paraquedista.

É uma oração ou evocação muito comovente pelo fato de André Zirnheld nela demonstrar uma total entrega e submissão a Deus, uma resignação digna de nota como o expoente máximo de “… Seja Feita a Sua Vontade e não a minha…”. Não quer nada do que comumente é pedido a Deus, saúde, ouro, prata ou tranquilidade.

Não sendo Cristão, ele pede o caminho da Cruz e do sofrimento como se Cristão fosse, ao contrário de muitos Cristãos que pedem conforto, bem estar e prosperidade, esquecendo que o cristianismo é a religião da Cruz e não da cama confortável ou do colo consolador materno.

E pede como complemento, fé, coragem e força.

Eis a oração em sua versão em português e depois no original em francês.

Oração do Paraquedista:
Dai-me, Senhor meu Deus, o que Vos resta;
Aquilo que ninguém Vos pede.
Não Vos peço o repouso nem a tranquilidade,
Nem da alma nem do corpo.
Não Vos peço a riqueza nem o êxito nem a saúde;
Tantos Vos pedem isso, meu Deus,
Que já não Vos deve sobrar para dar.
Dai-me, Senhor, o que Vos resta,
Dai-me aquilo que todos recusam.
Quero a insegurança e a inquietação,
Quero a luta e a tormenta.
Dai-me isso, meu Deus, definitivamente;
Dai-me a certeza de que essa será a minha parte para sempre,
Porque nem sempre terei a coragem de Vos pedir.
Dai-me, Senhor, o que Vos resta,
Dai-me aquilo que os outros não querem;
Mas dai-me, também, a coragem
E a força e a fé.


Je m’adresse à vous, mon Dieu
Car vous donnez
Ce qu’on ne peut obtenir que de soi.
Donnez-moi, mon Dieu, ce qui vous reste,
Donnez-moi ce qu’on ne vous demande jamais.
Je ne vous demande pas le repos
Ni la tranquillité,
Ni celle de l’ âme, ni celle du corps.
Je ne vous demande pas la richesse,
Ni le succès, ni même la santé.
Tout ça, mon Dieu, on vous le demande tellement,
Que vous ne devez plus en avoir !
Donnez-moi, mon Dieu, ce qui vous reste,
Donnez-moi, ce que l’on vous refuse.
Je veux l’insécurité et l’inquiétude
Je veux la tourmente et la bagarre,
Et que vous me les donniez, mon Dieu,
Définitivement.
Que je sois sûr de les avoir toujours
Car je n’aurai pas toujours le courage
De vous les demander.
Donnez-moi, mon Dieu, ce qui vous reste,
Donnez-moi ce dont les autres ne veulent pas,
Mais donnez-moi aussi le courage,
Et la force et la foi.
Car vous êtes seul à donner
Ce qu’on ne peut obtenir que de soi.

"Eu não tenho queixas sobre a guerra. A partir dela, eu tenho que aprender a viver qualquer coisa”

André Louis Arthur Zirnheld.

André ZirnheldCorreção: Esta foto amplamente divulgada como sendo de André Louis Arthur Zirnheld, na verdade é de um para-quedista que serviu de modelo, era um cabo especialista HAMEL da 6ª PCB na Indochina ele perdeu um braço em Dien Bien Phu.

O esclarecimento foi feito por Sylvia Caroline. Muito obrigado Sylvia Caroline!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A Queda de Anteu e a Força de Júlio César

“Quanto Mais eu caio ao chão mais forte eu fico.”

Aqui em Araruama tem um rapaz chamado Júlio César, ele é um rapaz muito legal, vende doces deliciosos e algumas empadinhas igualmente saborosas...
biblioteca-araruama-600x374
O Banco Onde Tudo Aconteceu

Eu estava sentado em um banco da Praça João Hélio no escuro esperando começar uma reunião na Biblioteca e lá veio o Júlio César com suas caixas de doces coloridos...

Ele sempre aperta minha mão e de uns tempos para cá ele me faz perguntas diversas, ele é um leitor ávido por respostas, lê coisas super complicadas e enquanto me oferece doces irresistíveis daqueles que dá vontade de comprar só pela beleza me faz perguntas igualmente cabeludas e de irresistível resposta...

Ele me perguntou se a frase "quanto mais eu caio mais me fortaleço" tem alguma coisa a ver com Mitologia Grega.

E eu disse que sim, que era a história mítica de Anteu filho de Gaia deusa regente da terra (no sentido de solo, chão) e Poseidon o deus regente do mar.
poseidon
Poseidon Pai de Anteu

Anteu era muito forte e bom de luta, ele chamava ou provocava todos os passantes para brigar com ele e sempre vencia e com os ossos dos derrotados queria construir um templo para seu pai Poseidon.

De certa forma olhando por uma ótica mais moderna Anteu era um valentão.

Vez por outra ele encontrava um adversário mais forte que ele e melhor de luta e mesmo assim ele invariavelmente vencia.
Anteu e Hércules
Anteu Vencido por Hércules

O que acontecia era o seguinte: ele extraia a sua força da terra que era regida por sua mãe, então cada vez que algum adversário o jogava ao chão ele ficava mais forte, e este era o truque de Anteu, quanto mais ele caía mais forte ficava.

Bom, um dia ele lutou contra o herói Hércules que sabendo de seu ponto fraco que ao mesmo tempo era seu ponto forte, ergueu Anteu ao ar e o asfixiou sem deixar que ele encostasse no chão.

Anteu morreu, mas deixou um legado às avessas muito interessante que chegou ao conhecimento do nosso doce vendedor de doces Júlio César, que andando pelo chão de Araruama cada vez fica mais forte e me encanta com sua doçura, seus doces, suas empadas e sua vontade de saber cada vez mais sobre o ser humano e sua alma.

sábado, 29 de novembro de 2014

Quando Chaves Surgiu em minha vida...

Eu era casado e a mulher em questão tinha um filho com sete ou oito anos.
 
Ambos metidos a intelectuais, papo cabeça e preocupadoschaves7 com a educação do menino; pura arrogância transvestida de conhecimento e experiência de vida.
 
O Silvio Santos no SBT começou a exibir um programa ridículo chamado Chaves (lá vem o chaves, chaves, chaves todos atentos ligados na TV). Estávamos almoçando na Parmê de Vila Isabel e eu vi um garoto em outra mesa com um óculos ridículo de brinquedo que na verdade era um canudinho para beber algum tipo de líquido; e eu do alto da minha arrogância perguntei:
 
 Óculos do chaves- Que coisa é aquela na cara da criança?
 
E minha companhia respondeu:
 
- É o óculos do Chaves...
 
- Que Chaves?
 
- Um programa mexicano que passa no SBT..
 
- Só podia ser do Silvio Santos uma idiotice dessas.
 
Eu retruquei...
 
Desde então proibimos o filho dela de assistir ao Chaves, achamos "idiotizante" demais...
 
Se arrependimento matasse...
 
Eu não sabia que logo depois a Rede Globo estrearia uma imundice chamada Malhação e uma novela chamada A Viagem que se aproveitando de conceitos kardecistas na verdade lançava a moda da tatuagem e do piercing para adolescentes e é claro em poucos dias crianças estavam implorando aos pais por uma tatuagem no ombro...
 
O Chaves não era idiota, o idiota era eu.
 
O Chaves (El Chavo del Ocho) é uma versão mexicana de um outro personagem chamado "Gugu", do programa  educacional infantil chamado Vila SésamoGugu (Gozo no programa original Sesame Street) que por sua vez foi inspirado no filósofo grego Diógenes.
 
Assim como Diógenes Gugu e Chaves moravam em um barril (Gugu morava em uma lata de lixo enorme), ambos descompromissados com maiores responsabilidades, e sempre nos passando algum tipo de... Foi sem querer querendo...
 
Gugu era irascível, já Chaves adorável e Diógenes, bom Diógenes era Diógenes...
  s11  sp 03-09-05  variedades jt  A personagem Chaves   do seriado Chaves, exibido no SBT   FOTO DIVULGACAO
 
Diógenes também morava em um barril e uma vez saiu de sua morada por ter ouvido um burburinho muito forte e viu um político fazendo um discurso para o povo. Ele fuçou no lixo e achou um peixe podre, peixe podre em mãos, ele começou a sacudir e agitar o peixe o que exalou um fedor enorme.
 
O público parou de dar atenção ao político e passou a observar Diógenes e seu peixe podre tampando o nariz.
 
O filósofo gritou:
- ATÉ UM PEIXE PODRE CHAMA MAIS ATENÇÃO QUE VOCÊ!
 
Chaves chamava atenção não por ser podre, mas pela podridão do que passa e passava na TV.
 
Chaves não fazia mal a ninguém, convivia muito bem com todos, Seu Madruga o eterno desempregado e devedor deDiógenes aluguel, Kiko o filhinho de mamãe e tirava do sério o politicamente incorreto Professor Girafalis que fuma charuto em plena sala de aula e paquera mãe de aluno.
 
É famoso o episódio do filósofo Diógenes que em plena luz do dia andava pelas ruas com uma lanterna acesa procurando um homem honesto, verdadeiro, homens auto-suficientes e virtuosos.
 
Se Diógenes tivesse entrado na vila de casas onde vivia Chaves em seu barril, ele certamente teria encontrado um.
 
R.I.P. Roberto Gómez Bolaños.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Book Trailer A História do Papai Noel


Book Trailer do Livro A História do Papai Noel
Este livro conta a História de Papai Noel desde o nascimento de São Nicolau em Patara na Grécia até sua "estreia" em Hollywood.
O livro conta também todas as lendas e mitos correlatos na Europa que acabaram por ajudar a construir a lenda de Papai Noel. Mostra a influência do Protestantismo de Martin Lutero na formação do mito.
agbook_promote_1
Este não é um livro Religioso, é um Livro de história com um certo sabor de "espírito de natal".
Pode ser lido sem receio algum por ateus, protestantes tradicionais, evangélicos pentecostalistas, católicos, historiadores e publicitários.



terça-feira, 11 de novembro de 2014

A História de Papai Noel*

*Este artigo foi transformado em livro, aqui você tem apenas uma amostra. No livro você tem muito mais informações e imagens. Por todo o texto você encontrará botões onde você será direcionado para o site da editora, onde poderá adquirir um exemplar.

São Nicolau.

A história de Papai Noel está intrinsecamente ligada à história de São Nicolau.So-Nicolau-3_thumb1

São Nicolau Nasceu em Patara (Patera) na Grécia antiga sob o domínio de Roma (Ásia Menor) hoje pertencente à Turquia por volta do ano 300 d.C. Patara que segundo a lenda foi fundada por Patarus filho de Apolo foi cristianizada logo no início do movimento Cristão primitivo e foi berço de vários cristãos proeminentes, dentre eles, Nicolau.

Ruinas-do-Afiteatro-de-Patara-na-AtuO Império Romano ainda convivia com lutas de gladiadores em arenas e com perseguições constantes aos cristãos que para se proteger se reuniam em cavernas e catacumbas escavadas em montanhas fora dos olhos acusadores dos romanos. Necropole-da-Cidade-de-Mira-Atual-Tu[1]

 

Nicolau era filho de pais cristãos e muito ricos, e segundo lendas e tradições desde cedo apresentou características muito diferentes das outras crianças, era muito precoce em vários sentidos e muito cedo se dedicou a igreja, tornando-se diácono de sua comunidade e logo a seguir Padre do vilarejo de Patara.

Mapa-Patera-Patara_thumb1

Seus pais morreram em Patara quando ele ainda era muito jovem; reza a lenda que faleceram de alguma peste que acometeu a região o que deve ter marcado para sempre sua vida.

 agbook_promote_1

 

 

 

Bispo Nicolau de Mira.Nicolau-Bispo-de-Mira-2_thumb1

Próximo a Patara existia a cidade de Mira (ou Myra atual Demre - Turquia), um importante núcleo cristão; o próprio Paulo de Tarso esteve lá pregando. Nesta cidade a Diocese procurava um novo bispo, pois o atual estava deixando a cidade. Em certa noite o Bispo viu uma imagem resplandecente ao fundo da igreja, o rosto desta imagem fulgurava tornou-se muito branco, brilhando como o Sol; o Bispo perguntou em voz alta:

- O que é isso? Quem representa essa figura?

E a voz de um Anjo respondeu:

- Este é Nicolau o próximo Bispo de Mira que você deve indicar...

E assim, com apenas 30 anos Nicolau tornou-se bispo de Mira.

Seu bispado ficou conhecido pelo seu senso de justiça, proteção aos inocentes e por sua imensa caridade.

 

A Lenda dos Presentes nas Meias.

As lendas e tradições contam que Nicolau o agora Bispo de Mira soube que um pai não tinha o dote para o casamento de sua filha mais velha e ele o ajudou furtivamente.

No século IV nos confins do Império Romano não ter o dote para viabilizar o casamento de uma filha era um pesadelo para os pais, significava que ela não se casaria e isso na cultura da época era uma calamidade familiar. Em um caso em particular, em Mira um pai cogitou vender sua filha como escrava ou para uma casa de prostituição, o que se tornaria uma coisa indigna.

Nicolau ao saber das dificuldades dessa família pegou moedas de ouro de seu espólio particular, envolveu em um lenço e jogou pela janela da casa onde a família passava por este tipo de infortúnio.

Lembrando que Nicolau era muito rico, não pelo seu cargo na igreja, mas sim por ser herdeiro da fortuna da família.

Aparentemente isso se repetiu algumas vezes (talvez três vezes) e em uma ocasião foi necessário que Nicolau repetisse mais de uma vez seu ato para que alcançasse a quantia do dote, pois a família possuía mais de uma filha; o pai em questão curioso para saber quem fazia aquela generosa oferta ficou escondido do lado de fora da casa à espera de seu benfeitor e foi assim que a notícia de sua caridade espalhou-se pela cidade e mais tarde por toda a região.

Nessa época e nesta região existia o hábito de colocar próximo a janela ou a uma espécie de lareira, meias e sapatos para secar do suor do dia ou quando estavam molhados pela chuva, e em alguns casos aconteceu que o lenço cheio de moedas caiu acidentalmente dentro dessas meias ou sapatos e nisso está a origem do costume natalino de colocar meias e ou sapatos na janela ou na lareira para que o Papai Noel deposite neles os presentes.

É claro que isso tornou o Bispo Nicolau de Mira famoso, mas ele também ficou muito conhecido como um defensor formidável da fé cristã.

 

Bispo Nicolau no Concílio de Niceia.

Ele esteve presente no Concílio de Niceia em 325 d.C. que fora convocado pelo Imperador Constantino, isto não é lenda ou tradição, pois fizeram uma lista de presença e seu nome estava nela.

Este que possivelmente foi o maior e mais importante concílio do cristianismo durou meses e discutiu-se de tudo, desde quais livros fariam parte do que mais tarde ficou conhecidoagbook_promote_1 como Bíblia até sobre a divindade de Jesus: afinal, Jesus era Deus ou não?

O Bispo Nicolau defendia fervorosamente que Jesus era Deus além de Filho do pai Todo Poderoso, mas houve quem discordasse como o Bispo Arius de Alexandria (ou Ário) [alguns historiadores não o consideram um bispo, mas sim um presbítero, Arius defendia uma doutrina sobre a Trindade que ficou conhecida por arianismo, hoje suas doutrinas são consideradas heréticas pela igreja católica] e os debates continuavam tendo Arius sempre negando a divindade de Jesus; farto disso e sem mais palavras para defender o aspecto divino de Jesus, Nicolau levantou-se foi até Arius e o esbofeteou.

 

São Nicolau o Bispo de Mira.

Nicolau-Bispo-de-Mira_thumb1Após o Concílio de Niceia O Bispo Nicolau de Mira em vida já era aclamado como santo protetor das virgens e da fé e era amplamente chamado de São Nicolau.

Veneravam sua imagem acreditando em sua intervenção: donos de comércio, advogados e seus clientes, mulheres solteiras ou casadas semNicolau-e-os-marinheiros_thumb filhos e uma classe trabalhadora que mais tarde foi muito importante na propagação na fé em São Nicolau; os marinheiros; também pescadores e comerciantes marítimos acreditavam que São Nicolau aparecia do nada em noites tormentosas e tinha o poder de apaziguar tormentas.

 

O Milagre dos três jovens.

Existem duas versões para um dos milagres mais famosos atribuído a São Nicolau:

A primeira diz que três estudantes que estavam a caminho da escola foram assaltados, raptados e esquartejados pelo zelador de uma hospedaria, o zelador teria colocado as partes dos jovens em um barril de conservas e repentinamente Nicolau apareceu na hospedaria e ordenou que os meninos se levantassem. Milagrosamente os pedaços das crianças foram se juntando e lentamente foram saindo do barril um após o outro.

Trs-Jovens-Injustiados_thumb1

A segunda diz que três jovens cristãos estavam para ser decapitados injustamente, eles foram vendados e postos de joelhos e quando estavam com a lâmina preste a decepar suas cabeças Nicolau chegou repentinamente e com muita energia evitou a execução. agbook_promote_1

 

A Morte de São Nicolau.

A-Morte-de-So-Nicolau_thumb1Nicolau morreu no dia 6 de dezembro de 343 d.C., seu corpo foi colocado em um caixão e depositado em um túmulo na Cidade de Mira e segundo testemunhas um líquido perfumado escorria de seu ataúde e uma gota deste perfume tinha o poder de curar toda e qualquer doença.

Peregrinos começaram a vir ao seu túmulo em busca de cura: cegos, paralíticos, pessoas com febre, Cruzados em busca de proteção (depois das batalhas levavam frascos do perfume o que ajudou também a espalhar a história do santo) o que só fez aumentar mais ainda a fama de São Nicolau que já não era pequena.

 

O Roubo do Corpo de São Nicolau.

Mais de 700 anos após a sua morte, no ano 1087 seu corpo foi roubado por 62 marinheiros italianos incentivados por comerciantes e levado para a cidade de Bari na Itália, o roubo foi relatado pelo monge beneditino Miséforo alguns dias depois do ocorrido (um monge foi testemunha ocular e chegou a ser ameaçado por um dos marinheiros de nome Mateu).

Em Bari foi erguida uma imponente catedral para guardar seus restos mortais e o nome de cada marinheiro que participou do roubo teve em homenagem seus nomes gravados nas paredesBaslica-de-So-Nicolau-em-Bari-Italia[2] do templo. Mateu e seus companheiros fizeram um contrato com a igreja para receber uma porcentagem dos lucros obtidos com a presença dos restos mortais de São Nicolau, mas a igreja não cumpriu sua parte.

Mesmo tendo sido fruto de um roubo espetacular, todos os anos até hoje os cidadãos de Bari encenam nas ruas a chegada em um barco do caixão contendo o os restos mortais do santo. São Nicolau de Mira passou a ser conhecido como São Nicolau de Bari.

Nesta época havia um grande comércio de relíquias (muitas delas falsas) de santos; por vários motivos, por exemplo, atrair peregrinos e suas respectivas ofertas e doações, crença na proteção que as relíquias proporcionavam a quem as possuía, poderia ser um colecionador particular, uma família rica, um rei ou até mesmo uma cidade. No caso dos restos mortais de São Nicolau dois são os motivos, atrair peregrinos (e mesmo turistas) para a cidade de Bari na Itália e também por uma crença fervorosa dos marinheiros em receber bênçãos e proteção do santo.

Os restos mortais de São Nicolau foram depositados em uma tumba provisória e em 1089 foi transferido para seu lugar definitivo um novo sepulcro inteiramente feito de mármore.

 

Abertura do Túmulo de São Nicolau.

Só no século 20 em 1953 a tumba de mármore foi aberta para uma reforma e enquanto isso seus ossos foram Crnio-de-So-Nicolau-Faltando-uma-par[2]minunciosamente examinados por ordem do Vaticano, tudo foi fotografado, radiografado, diagramado em escala, medido, registrado e documentado em um longo dossiê; para dizer a verdade faltam muitos ossos no esqueleto de São Nicolau, porém do crânio só falta uma pequena parte da articulação do maxilar do lado esquerdo.

 

Reconstrução da Face de São Nicolau.

O patologista forense italiano nDr-Franco-Introna_thumb1ascido na própria cidade de Bari Franco Introna teve acesso a toda a documentação sobre os restos mortais de São Nicolau e enviou todas as informações a Dra. Caroline Wilkinson da Universidade de Manchester na Inglaterra, uma especialista em reconstrução facial (ela é muito conhecida de documentários históricos e arqueológicos tipo BBC, Discovery Channel, National Geographic Channel etc.); com esses dados em mãos logo a Dra. Caroline Wilkinson percebeu que o esqueleto era de um homem de baixa estatura com cerca de 1,67m e que sua cabeça era desproporcionalmente grande em relação ao seu corpo, ou seja, Nicolau era baixinho e cabeçudo.

Dra-Caroline-Wilkinson_thumb1A Dra. Caroline também fez uma descoberta interessante; São Nicolau teve o nariz quebrado em algum momento da vida o que fez com que ficasse com o nariz torto após a cicatrização do ferimento e calcificação óssea.

 agbook_promote_1

 

 

 

Face-de-So-Nicolau-Restaurada-Defini[1]

 

A Popularidade de São Nicolau.

Antes de seu corpo ter sido roubado de Mira, os marinheiros já tinham espalhado por todos os portos da Europa os milagres e façanhas de São Nicolau e agora com seu corpo depositado em uma cidade italiana sua fama cresceu imensamente desde os confins da Turquia até os centros mais movimentados da Europa Central, o que fez com que ele se tornasse o santo mais popular do mundo na época; na Idade Média, existiam mais igrejas erigidas em seu nome que todos os Apóstolos de Cristo juntos.

 

São Nicolau e outros "Papais Noéis".

Conforme a fama de Nicolau foi se espalhando pela Europa, suas façanhas foram se mesclando com outros fenômenos culturais, espirituais, religiosos e folclóricos de lugares onde já existia alguma entidade semelhante em comportamento e feitos, assim como foram acrescidos para que se formasse aWodan-voando-em-sua-carruagem_thumb1 figura do Papai Noel. Uma dessas figuras foi Wodan (Woden), da cultura pré-cristã germânica; dentre muitos poderes e atribuições desta divindade uma delas era sobrevoar em uma carroça (ou biga) puxada por caprinos as casas dos aldeões e fazendeiros, observando como tratavam de seus filhos, de suas esposas, seus empregados e de seus animais; como fazendo uma lista para parabenizar os bons e se não punia os maus, esses não recebiam suas bênçãos.

 

Inspirações de São Nicolau.

Inspiradas nos feitos de São Nicolau, um grupo de freiras francesas do século XII tiveram a iniciativa de distribuir pequenas porções de doces, frutas e nozes para as crianças no dia de São Nicolau 6 de dezembro, pelo voto de silêncio e humildade das freiras elas não revelavam sua atitude (ao menos não em público) e logo se criou mais uma lenda ou um mito, o de que era o próprio São Nicolau que distribuía as frutas para as crianças.

Temos aqui já algumas características que juntas formariam mais tarde a figura de Papai Noel: presentes em meias ou sapatos, uma biga ou carroça voadora com uma entidade que verificava uma vez por ano quem foi bom ou mau.

 

O Protestantismo e São Nicolau.

Martin-Lutero_thumb1No século XVI ocorreu o advento do protestantismo e seu líder Martinho Lutero não gostava de toda a atenção dada a São Nicolau, ele achava que toda essa veneração, idolatria etc. deveria pertencer e ser direcionada apena a Jesus Cristo. A imagem e maiores referências a São Nicolau foram as primeiras expurgadas do protestantismo por Lutero.

agbook_promote_1

 

 

Martinho Lutero e seu movimento seriam muito prejudiKris-Kindle_thumb1cados com o banimento de São Nicolau da cultura cristã, principalmente junto às crianças, então ele fomentou a crença em outra lenda alemã, a de Kriss Kindle o Jesus Criança ou Menino Jesus que voava e distribuía presentes, só que ao invés de ser festejado no dia de São Nicolau 6 de dezembro passou a ser festejado no dia que se comemora o nascimento de Jesus, 25 de dezembro.

Com a chegada dos primeiros peregrinos protestantes nos Estados Unidos o nome mudou ligeiramente para Kris Kringle.

 

"Papais Noéis" pelo Mundo.

A esta altura já existiam personagens semelhantes pelo mundo, baseado na história de São Nicolau ou não:

Na Inglaterra ele era chamado de Father Christmas (Pai Natal) e fazia parte de um antigo festival de inverno, ele se vestia comFather-Christmas-Vestindo-Verde-Simb[2] uma túnica verde simbolizando a primavera que estava prestes a chegar; ele também era conhecido como Sir Christmas, Old Father Christmas ou também como Old Winter. Nesta forma, ele não dava presentes às crianças, nem descia pela chaminé, apenas batia na porta da casa das pessoas, festejava com elas e com os moradores das casas vizinhas e depois seguia para bater na casa de outras pessoas. O Espírito de Natal, presente no livro de Charles Dickens “Christmas Carol” (1843) é baseado nas festividades de Father Christmas; ele é descrito como um homem grande, de barba ruiva (vermelha) e vestia um manto forrado com uma pele verde (ou tingida de verde).

Na França existia já o Père Noël, porém com uma Pre-Nol-o-Papai-Noel-Frans_thumb1indumentária ligeiramente diferente do Papai Noel que conhecemos hoje. A Primeira vez que se tem notícia na literatura francesa sobre este personagem, é encontrado em 1855 nos escritos de George Sand, porém sem referência ao Menino Jesus e as festividades de Natal como hoje em dia; vale notar uma enorme resistência dos franceses do pós-guerra quando o Plano Marshall norte-americano tentou impor o estereótipo de Santa Claus, estadunidense ao povo francês. O Papai Noel Francês igualmente distribuía presentes para as crianças.La-Befana-o-Papai-Noel-da-Italia_thu

No folclore italiano existia La Befana uma espécie de bruxa que também é identificada como “uma velha senhora pobre” que ia de casa em casa procurando o Menino Jesus e distribuía presentes às crianças boas que esperavam por ela.

  agbook_promote_1

 

 

Jultomte-O-Gnomo-de-Natal-o-Papai-No[2]Na Suécia a tarefa de distribuir presentes no Natal era a de um gnomo chamado Jultomten que quer dizer literalmente “Gnomo do Natal”.

Na Holanda era o próprio São Nicolau que distribuía os presentes, pois um país tão ligado ao mar os marinheiros nunca esqueceram seu padroeiro de tantos séculos, e lá ele era chamado de Sinterklaas (de onde vem o nome em inglês Santa Claus).

So-Nicolau-Distribuindo-Presentes-na[1]

Quando os exploradores e protestantes holandeses chegaram ao Novo Mundo (EUA), eles levaram junto os seus hábitos e costumes e é claro todas as referências culturais, folclóricas e religiosas de São Nicolau ou em holandês Sinterklaas (Sinter = Santo e Klaas = Nicolau).

 

São Nicolau e Papai Noel no Novo Mundo.

Nos Estados Unidos, até a declaração de independência, o costume ficou restrito a comunidade de imigrantes holandeses e seus descendentes. Após a independência norte-americana, os EUA queriam se desvencilhar da cultura inglesa e com isso buscaram novos símbolos, novos costumes, uma nova moda; tudo que se referia à Inglaterra era velho e fora de moda, fizeram de tudo para se livrar das tradições do Velho Mundo; isso fez com que se voltasse para Nova York que possuía uma forte concentração de Holandeses em geral com costumes bem diferentes dos ingleses.

O escritor norte-americano Washington Irving em seu livro washington-Irving_thumb1A History of New York (A História de Nova York) escreveu muito sobre a cultura holandesa e deu um destaque especial a Sinterklaas a versão holandesa de Papai Noel.

 

Finalmente Papai Noel.

Até então, a imagem de São Nicolau ainda era a de um “santo” e não a do Papai Noel como a conhecemos hoje, alegre, meio bonachão e gordinho.

Clement-Clarke-Moore_thumb1Em 1823 Clement Clarke Moore, professor de literatura da Universidade de Columbia, entusiasmado com a proximidade do Natal e estando dentro de uma carruagem em meio à neve inspirou-se para criar um poema que mudaria completamente a imagem de Papai Noel de “santo” para tornar-se o personagem que conhecemos hoje em dia.

agbook_promote_1O título deste poema é: Uma Visita de São Nicolau (A Visit From Saint Nicholas).

Bom, o poema é grande e foi escrito em inglês do século 19, vou colocar ao final do texto três versões: a original em inglês, uma tradução livre que tenta manter um equilíbrio entre licenciosidade de tradução, manter o espírito do original e tentar obter um pouco do lirismo e uma terceira versão que foi traduzida com a intenção de manter o aspecto poético mesmo que se perca um pouco do original.

O fato é que este poema de Clement Clarke Moore foi o marco entre São Nicolau e o Papai Noel. Ele praticamente deixa de ser um personagem religioso e passa a ser muito mais pagão (no sentido de não religioso), ele é descrito como sendo alegre e rechonchudo, pela primeira vez é mencionaUma-Visita-de-So-Nicolau-Capa_thumb1do o trenó e as renas incluindo seus nomes: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen; igualmente, pela primeira vez é descrito que ele entra nas casas pela chaminé.

Hoje em dia o poema de Clemente More Uma Visita de São Nicolau (A Visit From Saint Nicholas), é muito mais conhecido pelo título: A Noite na Véspera de Natal (Twas the night before Christmas) é possivelmente o poema de maior sucesso no mundo e foi traduzido para diversos idiomas e dialetos com versões muitas vezes direcionadas a cultura local e com interpretações diversas. Fez tanto sucesso que causou um frenesi no que tange a poemas, livros, folhetins, peças de teatro sobre o tema Papai Noel e o Natal.

Katherine Lee Bates criou “Mamãe Noel” ("Mrs. Santa Claus" esposa de papai Noel) em seu poema Goody Papai Noel em um passeio de trenó (1889).

Louisa May Alcott uma escritora voltada ao público infanto-juvenil autora do famoso livro Little Women (Mulherzinhas no título em português) inseriu em sua obra o texto Feliz Natal.

Na verdade na onda do sucesso do poema de Clemente Moore todos que tinham algum nome literário e ou precisavam de dinheiro escreviam ou compunham sobre o tema Papai Noel e o Natal e em geral vendiam como água. Isso acabou por despertar o interesse em sua aparência; sua barba era branca, mas qual o tamanho? O quão gordo ele era? Qual a cor de suas vestes?

Thomas-Nast_thumb1Vários ilustradores aventuraram na tarefa e cada um representava Papai Noel de uma forma diferente, uns com características ainda muito religiosas, já outros com característica por demais pagã. Até que um dia o ilustrador Thomas Nast do jornal Harpers Weekely o desenhou pela primeira vez em uma edição natalina do periódico (ele desenvolveu esta função de 1860 a 1890) e Nast tinha uma verdadeira paixão por desenhar a figura de Papai Noel e a cada edição ele deixava sua imaginação criar imagens que hoje nos são muito familiares, na edição em que ele desenhou Papai Noel com um telescópio é que ficou definido que ele morava no Polo Norte, Nast também mostrou pela primeira vezPapai-Noel-com-Telescpio-Ilustrao-de[2] o grande livro com a lista das crianças que deveriam ganhar presentes e quando o telefone se popularizou, ele desenhou Papai Noel recebendo pedidos pelo novo invento e até mesmo desenhou Papai Noel em sua casa.

Bispo-Nicolau-com-chapu-de-bispo-e-CA imagem que remete a São Nicolau como Bispo Nicolau de Mira nota-se a austeridade já na imagem de Papai Noel percebe-se a alegria e satisfação; o chapéu virou um gorro caído e descontraído já o cajado virou um pirulito.

agbook_promote_1

 

 

Papai Noel até fumava Papai-Noel-em-sua-Casa_thumbum cachimbo de haste longa e fina estilo holandês. Sim! Papai Noel fumava! E fumou por muitas décadas.

 

 

 

 

As Cartas Para Papai Noel.

Não se sabe ao certo quando e como começou a tradição deVirginia-OHanlon_thumb1 escrever cartas para o Papai Noel, mas conta-se a história da jovem Virginia O'Hanlon de 8 anos que duvidou da existência de Papai Noel e escreveu uma carta para o jornal The New York Sun em 1897, a história é que ela conversou sobre a existência ou não de Papai Noel com o próprio pai e ele brincou ou retrucou algo como: “... Se o Jornal The Sun publicar a notícia, é porque ele existe...”; então Virgínia escreveu uma cartinha para a redação do jornal:

Carta-de-Virginia-OHanlon_thumb- Querido Editor

- Eu tenho 8 anos de idade.

- Alguns dos meus amiguinhos dizem que Papai Noel não existe.

- Por favor, diga-me a verdade; Papai Noel existe?

Virginia O'Hanlon - 115 West Ninety Fifth Street

E o Jornal The Sun rapidamente respondeu:

(trecho traduzido do original)

“... Virginia, seus amiguinhos estão errados, eles estão afetados pelo ceticismo, em uma época cética. Eles não acreditam exceto se eles podem ver...”.

“... Sim Virgínia, Papai Noel existe; ele existe tanto quanto o amor, a generosidade e a devoção existem...”.

Leia no Livro A História do papai Noel à venda na agbook.