segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Primeiro Genocídio Alemão.

Hererós, as primeiras vítimas do racismo alemão.

Moas Herers abertura
Moças Hererós - Dias Atuais
Quando os alemães nazistas de Adolf Hitler começaram a matar em escala industrial judeus, ciganos, homossexuais, comunistas e todos os que os incomodavam, não eram novatos no assunto já tinham até prática. Eles já haviam feito antes, fora do olhar da Europa, longe de jornalistas, sem uma guerra formal declarada.

Quando Adolf Hitler era um adolescente, o Império Alemão tomou posse da Namíbia.

A Namíbia:

Mapa da Namibia
Namíbia - África
A hoje República da Namíbia é um país do sudoeste  africano limitado a norte por Angola e pela Zâmbia, a leste e a sul pelo Botswana, a sul pela África do Sul e a oeste pelo Oceano Atlântico.
 
Os primeiros a desembarcar e explorar a costa da Namíbia foram os navegadores portugueses Diogo Cão em 1485 e Bartolomeu Dias em 1486, mas a região não despertou interesse algum, nem ao menos fincaram bandeira ou foi reclamada pela coroa portuguesa.
Até recentemente pouco ou quase nada se sabia sobre a história da Namíbia de 1485 até 1885 até que a Conferência de Berlim, concedeu a Alemanha o direito de administrar o território do Sudoeste Africano; salvo um ou outro livro sobre história da África ou tratados de geografia. É fácil de explicar: A Namíbia é basicamente um deserto desolado.
Povo Herer, foto antiga
Povo Hereró
 
Até a chegada dos alemães em 1885 a região era habitada por dois povos: os Hererós e os Namaquas (também chamados de Nama). A Namíbia é basicamente um deserto, com o deserto do Namibe ocupando a maior parte de seu território (junto a costa), e o deserto do Kalahari no interior. Seus habitantes eram em geral pastores de gado.

Um Pouco de História:

Entre 1880 e 1914 ocorreu o momento histórico conhecido como a Partilha da África, também conhecida como a Corrida a África ou ainda Disputa pela África, que consistiu em reivindicações por parte de alguns países o direito de invadir e anexar regiões da África durante o período do neoimperialismo; envolveu principalmente: França e Inglaterra, embora também a Itália, Bélgica, Alemanha, Portugal, Espanha e, em menor proporção Estados Unidos, (o EUA, participou da fundação da Libéria). Para tentar minimizar qualquer eventual hostilidade entre esses países foi proposta por Portugal a Conferência de Berlim que acabou sendo  realizada entre 19 de Novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 nesta conferência ficou acertada a partilha da África entre as novas potências coloniais. Essa vergonhosa partilha que nunca deveria ter existido, é uma nódoa na história de todos os países participantes e foi executada de forma abjeta e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do continente africano. Haviam tribos isoladas é verdade e terras praticamente desabitadas; porém também haviam nações inteiras, étnicas, culturais e organizacionais, eram nações inclusive com demarcações geográficas como a nação do Congo por exemplo.
 
Assim nessa infame conferência ficou decidido em agosto de 1884 que a Alemanha seria a “dona” da Namíbia sob a forma de “protetorado”.
 
Desde o início houve resistência por parte da população local, os chamados Khoikhoi (devido a religião que praticavam) à ocupação alemã. Pegaram em armas para combater os invasores e uma paz tênue foi declarada em 1894.
Povo namaqua
Povo Namaqua
 
Os alemães iam  para lá para começar uma vida nova, tornarem-se fazendeiros etc. Porém as terras férteis eram raras e já ocupadas pela população nativa local, os Hererós e os Namaquas, afinal eles a conheciam, pois eram em sua maioria pastores e sabiam onde levar seu gado para pastar e sendo esses locais raros dado a característica desértica do país os alemães tinham que dar um jeito de expulsar os hererós e namaquas.
Theodor Gotthilf Leutwein
Theodor Gotthilf Leutwei
Governador da Namíbia
 
Em 1894, Theodor Gotthilf Leutwei tornou-se governador da Namíbia, que passou por um período rápido de desenvolvimento, e no mesmo ano a Alemanha enviou a Schutztruppe, ou as tropas coloniais imperiais, para pacificar a região; isso em pleno período de paz ainda que frágil.
 
De 1894 a 1904, os alemães foram encorajados a se estabelecer em terras tomadas dos nativos, o que obviamente causou um grande descontentamento. A terra e o gado que foram essenciais para os estilos de vida Hererós e Namaquas foram roubados pelos alemães. Os nativos foram usados como escravos e suas terras frequentemente eram “apreendidas” e entregues a colonos.
Schutztruppe
Schutztruppe Alemã

Uma pequena pausa para um esclarecimento importante:

Muitas vezes é usado como desculpa para as atrocidades cometidas pelos alemães, a grande quantidade de diamantes e outros minerais encontrados na Namíbia, o que é inteiramente mentira pois esses minerais só foram descobertos no local em 1908 e a maldade alemã começou como estamos vendo aqui mais de dez anos antes.
 
Entre 1894 e 1902 os hererós cederam mais de um quarto de suas terras para os alemães.
 
Durante os anos de invasão, os hererós se deixaram seduzir por produtos industrializados vendidos por comerciantes alemães; totalmente despreparados no trato com dinheiro, os hererós pediam empréstimos aos comerciantes, para gastar o dinheiro nos mesmos comércios onde pediam emprestado; é óbvio que não conseguiam pagar.
 
Os comerciantes começaram a cobrar os empréstimos, como não havia dinheiro, os comerciantes começaram a apreender o gado dos hererós, ou quaisquer objetos de valor que eles pudessem tomar, a fim de “amortizar” os empréstimos.
 
Para “resolver” o problema, o governador Leutwein decretou em 1902 (o ano carece de confirmação), que todas as dívidas não pagas seriam anuladas no ano seguinte (1903, carece de confirmação) o que na prática, se tornou uma manobra para que os comerciantes cobrassem as dívidas por conta própria, não respeitando o perdão da dívida. Os hererós iam de boa fé reclamar com os funcionários públicos do governo alemão, quando descobriram que esses funcionários eram cúmplices do esquema.
hendrik witbooi
Hendrik Witbooi
 
Em 1903, algumas das tribos Namaquas revoltaram-se, liderados por Hendrik Witbooi, onde cerca de 60 alemães morreram.
Em janeiro de 1904 os Hererós se juntaram aos Namaquas nas revoltas.
 
Começou a discussão sobre a possibilidade de criar reservas e forçar os Hererós a viverem nelas. Outros alemães eram a favor de simplesmente usar os hererós como escravos em suas fazendas e ainda outros eram a favor do extermínio de todo o povo hereró e namaqua.
 
Um ataque de uma grande tribo hereró foi feito contra os alemães; os hererós perderam a “batalha”; quem sobreviveu foi obrigado a entregar suas armas.
 
Os alemães ficaram tão confiantes com a vitória, que acreditaram que não haveriam mais ataques por parte dos hererós, e o governador Leutwein retirou a metade das tropas alemães da colônia.
Samuel Maharero
Chefe Samuel Maharero
 
No entanto em 1904 os hererós se revoltaram mais uma vez, liderados pelo Chefe Samuel Maharero, 120 alemães foram mortos, incluindo mulheres e crianças, e suas fazendas foram queimadas. Os rebeldes cercaram a localidade de Okahandja e fecharam os caminhos até Windhoek, a capital da colônia alemã.
 
Em  3 de maio de 1904 o Governador Leutwein foi forçado a pedir reforços a capital alemã, Berlim. Assim o Tenente-General Lothar von Trotha foi nomeado Comandante em Chefe da África do Sudoeste Alemão (Namíbia), chegando em 11 de junho com sua força de 14.000 soldados profissionais.
 
Começou uma briga dentro do poder alemão na colônia: O Governador Leutwein que era civil, era subordinado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros Coloniais Alemão, e relatou ao chanceler germânico Bernhard von Bülow, que queria derrotar os rebeldes Hererós mais aguerridos e negociar uma rendição com o restante deles para alcançar uma solução política.
 
Trotha que era militar, por outro lado, relatou ao Estado-Maior Alemão, que só era subordinado ao Kaiser Guilherme II e que queria esmagar toda e qualquer resistência nativa.
O General Lothar von Trotha venceu a contenda e partiu para a batalha contra os hererós.
kaiser wilhelm
Kaiser Guilherme II
 
Em  em 11 e 12 de agosto de 1904 aconteceu a Batalha de Waterberg onde Trotha e suas tropas derrotaram entre 3.000 e 5.000 hererós. Os hererós mesmo derrotados continuaram eventualmente a atacar pontos isolados de instalações alemães e algumas fazendas. Mesmo lutando bravamente os hererós não tinham mais condições de manter uma luta com os soldados profissionais alemães; e os sobreviventes da Batalha Waterberg retiraram-se para Bechuanalândia que era território dominado pelos ingleses (atual Botswana). Os ingleses acolheram os sobreviventes hererós com a única condição de não continuarem as hostilidades em território dominado por eles.
 
Outros 24.000 hererós (número aproximado) conseguiram fugir para o deserto do Kalahari, na esperança de alcançar o protetorado britânico. Quase todos morreram de sede. Patrulhas alemães encontraram mais tarde, esqueletos dentro de buracos de até 50 metros de profundidade; foi uma tentativa desesperada dos hererós encontrarem água.
 
Samuel Maherero e 1.000 de seus homens conseguiram cruzar o Deserto do Kalahari até a Bechuanalândia.
Em 2 de outubro, o Tenente-General Lothar von Trotha lançou um aviso aos hererós:
 
“…Eu, o grande general das tropas alemãs, envio esta carta ao povo Hereró … Todos os hererós devem deixar esta terra …Qualquer Hereró encontrado dentro das fronteiras alemãs, com ou sem uma arma, com ou sem gado, será morto. Vou deixar de receber todas as mulheres ou crianças, vou expulsa-los (as mulheres e crianças) ou  serão eles mortos. Esta é a minha decisão para o povo Hereró…”
 
Sem conseguir uma vitória conclusiva através da batalha, o General Trotha ordenou que os homens Hererós capturados fossem executados, as mulheres e as crianças seriam empurrados para o deserto.
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Bernhard von  Bülow
 
O governador civil Theodor Leutwein não concordando com as atitudes de Trotha queixou-se ao Chanceler alemão Bernhard von  Bülow dizendo que as ações de Trotha iriam arruinar qualquer chance de um assentamento e que ele invadira a jurisdição civil colonial.
 
Sem ter autoridade sobre os militares, o chanceler só podia aconselhar o Kaiser Guilherme II e foi o que fez, disse ao Kaiser que:
“…as ações de Trotha eram contrárias ao princípio cristão e humanitário, economicamente devastador e prejudicial para a reputação internacional da Alemanha…"
 
Talvez esquecendo que estavam em pleno século XX as autoridades tanto coloniais (na Namíbia) quanto imperiais na Alemanha não tomaram conhecimento dos protestos de Leutwein e dos conselhos de Bülow. As atrocidades cometidas pelos alemães chegaram ao conhecimento mundial através de rádios e jornais escritos e é claro foram muito criticados pela comunidade internacional.
 
A Alemanha se defendeu com a seguinte declaração:
 
“…Os Hererós não podem ser protegidos pela Convenção de Genebra que define os direitos humanos, porque a Alemanha afirma que os Hererós não são humanos de verdade, mas subumanos…” (sic)
 
Em 8 de dezembro de 1904, depois de protestos internacionais e de uma batalha politica entre o governo civil, a casa imperial alemã e os militares, o Kaiser Guilherme II revogou o decreto de Trotha de 2 de outubro. Foi inútil; desde outubro os massacres já haviam começado.
 
Os prisioneiros já eram amontoados em campos de concentração e/ou dados como escravos às empresas alemãs na Namíbia. Muitos prisioneiros morreram de desnutrição e fadiga (excesso de trabalho).
herero2 escravizados
Hererós Escravizados
 
A revogação do decreto de Trotha pelo Kaiser impedia a execução sumária dos hererós, mas nada impedia que eles fossem feitos prisioneiros de guerra.
 
herers mortos
Enforcamentos sumários
 
Os Campos de Concentração:
 
Os sobreviventes hererós, a maioria mulheres e crianças, acabaram sendo postos em campos de concentração, como o em Shark Island. Foi o primeiro Campo de Extermínio do mundo.
 
Sharkisland_Camp
Acampamento de "Prisioneiros de Guerra"
Observe que ao menos um está acorrentado pelo pescoço
 
Nesses campos, os Hererós e os Namaquas  foram aprisionados e escravizados; milhares trabalharam até a morte. As mulheres foram estupradas, quem não morria era espancado (inclusive mulheres e crianças) pelos guardas alemães dos campos de concentração. Enforcamentos eram feitos seguidamente sem necessidade de nenhum motivo especial.
 
enforcamento
Os enforcamentos podiam acontecer sem motivo algum
 
Como podemos ver, a infâmia alemã começou muito antes de Adolf Hitler, o Partido Nazista ou o Nacional Socialismo Alemão (nesta época Hitler tinha algo como 15 anos de idade).
 
Herero morrendo
Povo Hereró em Campo de Extermínio Alemão
 
Existiram vários Campos de Concentração na Namíbia, mas o mais infame e cruel deles foi o chamado de Campo de Shark Island (Ilha do Tubarão).
 
Herero Concentration Camps 02
Estas são as "cabanas" no Campo de Extermínio da Ilha Shark
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Jan-Bart Gewald
 
Segundo o Dr. Jan-Bart Gewald, professor da Universidade de Leiden na Holanda afirma:
 
“… O Campo da Ilha Shark foi criado com o objetivo expresso de matar pessoas…”
 
 
“… Todo mundo sabia que aquelas pessoas iriam morrer; as pessoas sabiam, os oficiais alemães sabiam. Se eu fosse usar a linguagem do período nazista, então com certeza eu iria ver a Ilha Shark como um campo de extermínio…”
 
“… Os genocídios na Namíbia que ocorreram entre 1904 e 1909 (este ano carece de confirmação, encontrei outras fontes que dizem que os massacres terminaram em 1908 n.a), foram os precursores do que acontece mais tarde durante o período nazista, são os precursores, tem os mesmos “sintomas” no sentido que se pode ver a burocratização dos assassinatos em massa, e isso para mim é o ponto central. Não é matar por matar não, é uma combinação entre matança e burocracia…”
 
Jan-Bart Gewald também escreveu:
 
“…os alemães montaram acampamentos especiais para suas tropas, e muitas crianças nasceram de pais alemães e mães Hererós. Depois que a maioria dos homens hererós foram mortos, as mulheres sobreviventes foram forçadas a servir como prostitutas para os alemães. Trotha se opôs ao contato entre nativos e colonos, acreditando que a insurreição era "o início de uma luta racial" e temendo que os colonos seriam infectados por doenças de origem nativa…”
 
Larissa Frster
Larissa Förster
Larissa Förster, uma especialista na Namíbia, do Museu de Etnologia da Cidade de Colónia na Alemanha, explica:
 
"…Foi claramente um comando para eliminar as pessoas pertencentes a um grupo étnico específico e só porque eles eram parte deste grupo étnico…"
 
Neste Campo de Extermínio da Ilha Shark na Namíbia, cerca de 3.500 seres humanos foram exterminados pelos alemães com velocidade e eficiência própria dos alemães.
 
As autoridades alemãs civis ou militares deram um número a cada Hereró e detalhadamente registraram cada morte, incluindo mesmo o nome de cada pessoa morta nos seus relatórios seja nos campos de trabalhos forçados, seja nos campos de extermínio. Empresas alemãs alugavam hererós como escravos, e a morte dos trabalhadores eram autorizadas pelas autoridades coloniais, e eram notificadas às autoridades alemãs na Europa. Trabalhos forçados, doenças, e a desnutrição mataram um número entre de 50 a 80% da população Hereró até meados de 1908, quando os campos foram fechados.
 
Relatório oficial sobre os campos de 1908, informou que 45,2% de todos os prisioneiros mantidos em cinco campos morreram. Os prisioneiros eram confinados por cercas de arame farpado e as pessoas eram geralmente amontoadas em pequenas áreas. O campo de Windhoek tinha cerca de 5.000 “prisioneiros de guerra” em 1906. As rações eram ínfimas, consistindo de uma mão de arroz cru, um pouco de sal e água. O arroz era desconhecido pelos Hererós e Namaquas e sua inclusão na dieta do campo pode ter contribuído para a elevada taxa de mortalidade.
 
As doenças nos campos de concentração e extermínio eram mais um motivo de mortandade, assim como uma alta concentração de pessoas em uma pequena área contribuíram para a propagação de doenças como febre tifoide, que em seguida se espalhou rapidamente. Não havia atendimento médico, os alojamentos eram  insalubres, os prisioneiros vestiam trapos.

Os Sjamboks:

sjambok
Sjambok
 
Sjambok significa "vara", em Ndebeleo (idioma Bantu africano) é uma arma feita de madeira rígida e resistente, com cerca de 50 centímetros e com uma alça de couro em uma das extremidades. O sjambok mais tarde se tornou o símbolo da Polícia do Apartheid na África do Sul, que caçava os não-brancos. Antigamente (creio que não é mais usado em nenhum lugar do mudo) era usado um instrumento similar para chicotear os cavalos.
 
Esta coisa abjeta, que só covardes e insanos poderiam pensar em usar, era usado em espancamentos e abusos (sexuais) e eram rotina na vida nos campos de extermínio na Namíbia.
 
NAMIBIA SLAVERY
Escravos Século XX
 
Em 28 de setembro de 1905 em matéria publicada no jornal Sul-Africano Cape Argus noticiou detalhadamente alguns abusos, com o título:
 
"No Sudoeste Africano Alemão: novas alegações surpreendentes: horrível crueldade"
Em uma entrevista com Percival Griffith, um sul-africano, que trabalhou como motorista (de transporte de tropas alemãs) no Campo de Lüderitz, relatou suas experiências:
 
"…Há centenas deles, a maioria mulheres e crianças e alguns idosos … quando caem são espancados pelos soldados que estão no comando, com toda a força, até que se levantem … Em uma ocasião eu vi uma mulher carregando uma criança de menos de um ano de idade pendurada em suas costas, e com um pesado saco de grãos na cabeça dela … ela caiu. "O cabo bateu nela com o sjambok por mais de quatro minutos e bateu no bebê também .. . a mulher lutou lentamente para erguer-se até que conseguiu levantar, e continuou carregando sua carga. Ela não emitiu um som o tempo todo, mas o bebê chorava muito…”
 
Fred Cornell, um inglês que mais tarde trabalharia na prospecção de diamantes e que também trabalhou no transporte de tropas alemães, estava em Lüderitz quando o campo de Shark Island estava sendo utilizado. Cornell escreveu sobre o acampamento:
 
"…frio - as noites são frequentemente muito frias lá - fome, sede, exposição a doenças e a loucura reivindicam dezenas de vítimas todos os dias, e vários de seus corpos eram todos os dias carregados até a praia atrás do campo, enterrados em alguns centímetros de areia na maré baixa, e quando a maré atingia os corpos, eles viravam comida para os tubarões…”
Na Wikipédia, existe um trecho que é uma miscelânea de dados, artigos e depoimentos, muito misturados e as vezes com pouco sentido, mas nem por isso inverídicos:
 
“…O campo de concentração de Shark Island, na cidade costeira de Lüderitz, foi o pior dos cinco campos da Namíbia. Lüderitz reside no sul da Namíbia, ladeado pelo deserto e oceano. No porto fica Shark Island, que então era ligada ao continente apenas por um pequeno istmo (ainda é N.A.). A ilha é agora, como era então, estéril e caracteriza-se por rocha sólida esculpida em formações surreais pelos rígidos ventos do oceano. O acampamento foi colocado no extremo da ilha relativamente pequena, onde os presos teriam sofrido exposição completa para os fortes ventos que varrem Lüderitz na maior parte do ano. Os primeiros presos a chegar foram, de acordo com um missionário chamado Kuhlman, 487 Hererós condenados a trabalhar na estrada de ferro entre Lüderitz e Kubub. Em outubro de 1905 Kuhlman relatou as condições desumanas e a elevada taxa de mortalidade entre os Hererós na ilha. Ao longo de 1906 a ilha tinha um fluxo constante de prisioneiros, com 1.790 presos Namaquas chegando em 9 de setembro sozinhos. No relatório anual de Lüderitz em 1906, um funcionário não identificado afirmou que "o Anjo da Morte" tinha vindo para Shark Island. O Comandante alemão Von Estorff escreveu em um relatório que cerca de 1.700 prisioneiros tinham morrido em Abril de 1907, 1203 deles Namaquas. Em dezembro de 1906, quatro meses após sua chegada, morreram 291 Namaquas (uma taxa de mais de nove pessoas por dia). Relatórios de missionários colocaram a taxa de mortalidade entre os 12 e 18 por dia, algo como 80% dos presos enviados para o campo de concentração de Shark Island nunca saíram da ilha…” (sic)
 
Em 1905 foi realizada uma contagem feita por alemães que revelou que 25.000 Hererós estavam vivos na África do Sudoeste Alemão.
 
Alguns hererós não tiveram nem mesmo a mínima dignidade após a morte; seus restos mortais viraram matéria prima para os estudos da “ciência racial” na Europa. Seus crânios e até mesmo as cabeças cortadas foram vendidos para museus europeus e usados para provar a inferioridade dos africanos. O aviltante comercio de crânios dos hererós foi tão comum que foi até motivo em cartões postais da época.
 
Shark Island - Death Camp - BBC
Cabeças de Hererós foram expostas em Museus Alemães
 
Depois do genocídio, os cientistas alemães continuaram a usar a Namíbia como laboratório de campo e os pouquíssimos sobreviventes como cobaias.
Eugen-Fischer
Eugen Fischer
 
Em 1908 um “cientista” eugênico chamado Eugen Fischer, (a palavra eugenia nada tem a ver com o nome Eugenio ou Eugen) viajou para a cidade de Rehoboth na Namíbia. Fischer e um punhado de assistentes passaram meses fotografando, medindo e examinando os habitantes de Rehoboth. Todas as pesquisas de Eugen Fischer estão arquivadas em uma repartição pública na Namíbia até hoje: Fotos, medidas de rostos e crânios e ainda páginas e mais páginas de estudos racistas querendo provar a inferioridade do povo negro africano e que se miscigenando o homem branco com o povo negro africano o gene africano negro irá prevalecer e o resultado será, por mais branco que seja um ser humano inferior.

Após esses estudos, a reputação de Eugen Fischer foi as alturas e o país que mais gostou, adotou e financiou muitas de suas ideias e teorias foi os Estados Unidos.

Em 1985 as Nações Unidas através de um relatório chamado Relatório Whitaker admitiu que cerca de 65.000 Hererós (80% da população Hereró total) e 10.000 Namaquas (50% da população total Namaqua) foram mortos entre 1904 e 1907.
 
Em 1998, o então presidente alemão Roman Herzog visitou a Namíbia e se encontrou com líderes Hererós. O Chefe Munjuku Nguvauva exigiu um pedido público de desculpas e uma indenização pelos crimes ocorridos no início do século. Herzog lamentou, só isso; nem chegou perto de um pedido de desculpas formal. Ele também comentou à época que indenizações, estavam fora de questão.
 
Em 2001, os hererós entraram com um processo nos Estados Unidos exigindo indenizações do governo alemão e do Deutsche Bank, que financiou o governo alemão e as empresas na Namíbia no início do século passado.
 
Em 16 de agosto de 2004, no aniversário de 100 anos do início do genocídio, a então ministra do desenvolvimento da Alemanha Heidemarie Wieczorek-Zeul, pediu desculpas oficialmente pela primeira vez e manifestou pesar sobre o genocídio cometido pelos alemães. E declarou:
 
"Nós, alemães, aceitamos a nossa responsabilidade moral e histórica e a culpa pelos atos realizados pelos alemães na época." (sic)
 
Ela também admitiu que os massacres foram “…equivalentes a um genocídio…”, mas não falou sobre os temas: campos de concentração e escravidão, mesmo ambos tendo sido muito bem documentados pelos próprios alemães. Além disso, ela excluiu o pagamento de uma compensação especial.
 
Em outubro de 2007 os descendentes do General Lothar von Trotha e da família von Trotha viajaram para Omaruru na Namíbia a convite dos chefes Hererós e se desculparam publicamente pelos atos de seus antepassados. Wolf-Thilo von Trotha declarou publicamente:
 
"…Nós, da família von Trotha, estamos profundamente envergonhados dos terríveis acontecimentos que tiveram lugar há 100 anos. Os direitos humanos foram grosseiramente abusados naquela época… " (sic)
 
Em agosto de 2008, após a exibição na Europa de um documentário da TV Alemã que dizia que seus pesquisadores haviam encontrado mais de 40 crânios em duas universidades alemãs, entre elas, provavelmente, o crânio de um chefe Namaqua falecido em Shark Island, perto de Lüderitz; o ex-embaixador da Namíbia para a Alemanha, Peter Katjavivi exigiu que os crânios de prisioneiros hererós e namaquas das revoltas de 1904 a 1908, que foram levados para a Alemanha para a “investigação científica” e "provar" a superioridade dos brancos europeus sobre os africanos, fossem devolvidos à Namíbia.
 
esqueletos de herers
Ossadas dos Hererós reveladas pela ação dos ventos na Ilha Shark
 
Hoje, a Ilha Shark é um acampamento para turistas. Os hererós que morreram congelados ou de sede neste local quase foram apagados da lembrança. Por uma questão climática qualquer, ventos sopraram para longe as areias que cobriam uma quantidade enorme de ossadas, revelando assim o local de suas mortes horrendas. Isso, reascendeu a questão dos hererós. É como se os espíritos destes heróis Hererós não descansassem, e através de seus ossos, ainda clamassem por dignidade.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sacrifício Animal ou Perseguição Religiosa?

 

A Prefeitura de Piracicaba Estaria promovendo Perseguição Religiosa?

Circula pelo Facebook a seguinte notícia:

“No interior de São Paulo a assembleia de inquisidores Evangélicos passou por cima da Constituição que garante aos brasileiros liberdade religiosa e piracicabaaprovou por unanimidade uma lei proibindo a prática do candomblé, religião que é brasileira por criação.
 
Lá em Piracicaba/SP os seguidores desta religião terão que ir a outro município para professar a sua fé ou pagarão multa no valor de R$ 2.000,00 e R$ 4.000,00 se houver reincidência. Vereadores de vários partidos se sentiram a vontade para aprovar esta lei sob o comando do prefeito psdbista Barjas Negri.
 
A Câmara Municipal de Piracicaba/SP, por unanimidade, com o apoio dos vereadores dos seguintes partidos: PT, PDT, PP, PPS, PTB, PR, PMDB, PRB, PSDB, aprovou em 7/10, o PL 202/2010 do Vereador Laércio Trevisan (PR).
 
Comentários em Piracicaba informam que o referido PL (Projeto de Lei N.A.) é parte de um MOVIMENTO chamado “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÔ que tem por objetivo levar este projeto a outras cidades do Estado de São Paulo, depois, independente de quem seja eleito, encaminhar para a Câmara dos Deputados, através de deputados federais dos partidos envolvidos. Estes deputados, no momento, são mantidos no anonimato…” (sic).
 
O texto em forma de “imagem” é assinado como sendo de “deldebbio” e está datado de primeiro de junho de 2012. (veja a imagem acima).
 
Confesso que a notícia me deixou perplexo, mas como sempre “tenho um pé atrás” com qualquer notícia divulgada pela internet minha primeira providencia, foi perguntar a autora da postagem:
 
– Será que isso é verdade?
 
Resposta:
 
– É sim, eu conheço a pessoa que postou originalmente e essa pessoa é de confiança.
 
Prometi que investigaria o assunto, pois cercear a pratica religiosa é um assunto muito sério no meu entendimento.
 
Fiz é claro uma pesquisa básica na internet, e na pratica encontrei o texto acima, replicado um monte de vezes sem nada de novo.
 
Bom, logo de cara, descobri que o tal “deldebbio” é na verdade o site www.deldebbio.com.br/ cujo proprietário é Marcelo Del Debbio. marcelodeldebbio1
 
Eis um pequeno currículo dele extraído de seu site: (tirem suas próprias conclusões)
 
Nascido em 1974, é hoje considerado um dos maiores pesquisadores sobre Ordens Iniciáticas, Oráculos e Ocultismo no Brasil.
 
- Formado Arquiteto em 2000 pela FAU-USP e com especializações em Semiótica, História da Arte e Urbanismo.
 
Escritor com mais de 45 títulos publicados e mais de duas centenas de artigos publicados em revistas.
- Colunista do site “Sedentário e Hiperativo”, onde escreve semanalmente sobre ocultismo e filosofia.
- Autor da Enciclopédia de Mitologia, um dos maiores e mais completos trabalhos do gênero em língua portuguesa, com mais de 7.200 verbetes, de 40 mitologias diferentes.
 
- Editor chefe da Daemon Editora, a terceira maior editora de livros de RPG no Brasil.
 
- Iniciado em Bruxaria Inglesa em Stonehenge, em 1989.
- Membro da Maçonaria, filiado às lojas ARLS Madras, 3359, ARLS Aleister Crowley, 3632, ARLS Thelema, 3692 e ARLS Sublime Imprensa Maçônica, 3999, REAA – GOB.
- Membro das Ordens Inglesas de Aperfeiçoamento Maçônico: Maçom do Arco Real, Mestre da Marca, Mestre da Nauta Real.
 
- Cavaleiro Templário, membro do Preceptório Madras, 22. Ocupa atualmente o cargo de Grande Marechal da Ordem Templária no Brasil.
- Cavaleiro da Ordem de Malta, membro do Priorado Madras, 22.
- Membro da Loja de Perfeição Barão de Mauá.
- Membro do Conselho Consultivo do Capítulo Madras, da Ordem Demolay.
- Membro Honorário do Priorado “Príncipes Protetores da Santa Cruz de Caravaca”, do Estado de ES.
- Frater da Antiga e Mística Ordem Rosacruz – AMORC.
- Membro da Sociedade das Ciências Antigas (SCA).
- Membro da Tradicional Ordem Martinista (TOM)
- Membro do Colégio dos Magos.
- Membro do Arcanum Arcanorum. Ocupa atualmente o cargo de Magister Templi para a Ordem no Brasil.
 
- Faixa-Preta (1º tuen) de Kung Fu, praticante do estilo Louva-Deus Sete Estrelas Flor de Ameixa desde 1999; faixa Marrom (1º kyu) de Caratê no estilo Wado-ryu, aluno direto do sensei Michizu Boyu. Praticante de capoeira (cordão amarelo-azul) no estilo São Bento Pequeno, aluno do Grão Mestre Djamir Pinatti.
- Professor e praticante de Chi-Kung, modalidade de técnicas de kung fu que lidam com energia interna.
 
Como vocês podem ver, o currículo dele é, digamos assim… Bem… complexo… É, acho que complexo é uma boa palavra para usar neste caso.
 
O Site do Marcelo Del Debbio tem como título: Teoria da ConspiraçãoO Que Eles não gostariam que você soubesse… (sic).
 
Dei uma “navegada”  básica pelo site “Teoria da Conspiração” e nele li sobre Exu, seres invisíveis, e Preto Velho, não cheguei a ler nada relacionado a teorias conspirativas (não estou dizendo que não há, tão pouco que Marcelo Del Debbio não tenha escrito nada a respeito em seu site).
 
Voltando ao tema do post “Candomblé é Proibido em Piracicaba”:
 
Não tive acesso ao inteiro teor do PL 202/2010 (mesmo escrevendo para a Câmara de Vereadores de Piracicaba). No site “Teoria da Conspiração”, tem o que seria a íntegra do Projeto de Lei, porém o mesmo texto está replicado “Ipsis litteris” em dezenas de sites (até os erros de digitação e de português) Não se pode saber quem foi o primeiro a publicar o texto do Projeto de Lei.
 
Seria o seguinte o PL 202/2010 de autoria do Vereador Laércio Trevisan Júnior:
 
PL. 202/2010: PROJETO DE LEI Nº 202/10 - Proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba e dá outras providências.
 
Art. 1º Fica proibido o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba.
 
Art. 2º O descumprimento do disposto na presente Lei ensejará ao infrator, a multa de R$ 2.000,00 (dois mil reais) dobrado a cada reincidência.
 
Parágrafo único A multa a que se refere o caput deste artigo será reajustada, anualmente, com base no índice do INPC – IBGE, adotada pelo Poder Executivo através de Lei.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Justificativa
Primeiramente cabe ressaltar que independente de credo religioso e o respeito aos costumes de crença, ou seja, barbáreis como sacrifício de animais em rituais religiosos são inconcebíveis, e contraria a nossa Lei maior a qual é a garantia de vida e bons tratos para com os animais.
 
Precisamos sim, que as pessoas de bem, que gostam de animais, defenda–os, em principal em leis municipais, estaduais e federal através de seus legisladores.
 
Por outro lado, compete aos municípios de acordo com a - Constituição Federal – Art. 30 – I – Legislar sobre assuntos de interesse local.
 
Também cabe ressaltar que, o município pode legislar em assuntos de seu próprio interesse local de acordo com C.F Art. 30 – I e respaldado na lei orgânica do município de Piracicaba – Artigo 25 XXII .
 
Isto posto, felizmente a consciência de que a proteção aos animais também é uma obrigação do município.
Inobstante em Piracicaba através da Lei n.º 6647/09 já proíbe a instalação de circos que contenha animais, sendo um grande avanço em defesa dos animais.
 
Somos sabedores que há pessoas que realizam o sacrifício de animais em cultos religiosos, e isso é inaceitável, e deve ser observada com atenção por parte não só desta Casa Legislativa, mas também por todos os municípios .
 
Assim pelo alcance do Art. 225 d 1º, VII da C.F para a proteção dos animais, o interesse humano social, apresento este Projeto de Lei .
 
No ensejo, que o mesmo seja aprovado por unanimidade pelos pares, e que caminhemos em direção do bem, da proteção dos animais e os clamores da população e das ONGs de proteção com os animais.
Sala de Reuniões, 21 de junho de 2010.
(a) Laércio Trevisan Júnior (sic).
 
Logo a seguir, vem uma lista de Vereadores:
 
- André Gustavo Bandeira – PSDB
- Ary de Camargo Pedroso Jr – PDT
- Bruno Prata – PSDB
- Capitão Gomes – PP
- Carlos Alberto Cavalcante PPS (Declaradamente Evangélico)
- João Manoel dos Santos – PTB
- José Antonio Fernandes Paiva – PT
- José Aparecido Longatto – PSDB
- José Benedito Lopes – PDT
- José Luiz Ribeiro – PSDB
- José Pedro Leite da Silva – PR
- Laércio Trevisan Jr – PR (Vide Vídeo)
- Marcos Antonio de Oliveira – PMDB
- Paulo Henrique Paranhos Ribeiro – PRB (Pastor Evangélico)
- Walter Ferreira da Silva – PPS
 
Eu consultei a biografia de todos os vereadores acima. Na verdade já que eu estava procurando informações, eu consultei a biografia de todos os Vereadores de Piracicaba que são dezesseis no total. Consultei também, seus sites e blogs pessoais (fora suas biografias no site da Câmara de Vereadores de Piracicaba). Só encontrei dois Declaradamente Evangélicos: O Vereador Carlos Alberto Cavalcante do PPS e o Vereador Paulo Henrique Paranhos Ribeiro do PRB, que também é Pastor.
 
Não estou AFIRMANDO que outros vereadores em Piracicaba não possam ser evangélicos, porém, geralmente (sobretudo em cidades do interior) os políticos evangélicos fazem questão de exibir esse título para parecerem bonzinhos, seguidores de Jesus e angariar a simpatia do público e obviamente votos.
 
Olha, se existe algum tipo de “máfia evangélica”, “associação de evangélicos políticos” ou ainda que o tal projeto de lei faça parte de algum plano odioso chamado “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÔ é tão secreto, tão secreto que provavelmente os próprios vereadores que supostamente façam parte de tal aliança não sabem que fazem parte dela.
Chamar a Câmara de Vereadores de Piracicaba de “Assembleia de Inquisidores Evangélicos” (sic) é no mínimo um exagero.
 
“…Comentários em Piracicaba informam que o referido PL (Projeto de Lei N.A.) é parte de um MOVIMENTO chamado “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÔ …” (sic).
 
Olha, fazer essas afirmações, acusações e suposições baseado em comentários é um absurdo, mesmo para um blogueiro ou dono de site. Pessoal, comentários sem provas (nem mesmo se os comentários existiram) é tão somente fofoca.
 
O que ninguém (ao menos que eu tenha visto) que “copiou e colou” ou “replicou” ou nem mesmo leu, é o que está escrito logo abaixo da lista com os nomes dos Vereadores:
 
Att.
Maurílio Ferreira da Silva
Movimento Negro Unificado – Campinas/SP/ Presidente do Secretariado de Negros do PSDB Campinas/SP, Membro da Comissão de Religiosos de Matrizes Africanas de Campinas e Região- CRMA.
 
Olha, eu não vou cair em uma armadilha discutindo aqui questões raciais ou a legitimidade de entidades. Proponho o seguinte: Façam uma pesquisa por sua conta com os nomes próprios e de entidades que “assina” o texto que está no site “Teoria da Conspiração”.
 
Bom, se você leu o texto da lei, viu que não se menciona em momento algum a religião denominada Candomblé; tudo bem, para bom entendedor meia palavra basta… Nem tanto, o Candomblé não é o único credo que faz uso da pratica de sacrifícios animais.
 
Porém o Candomblé faz uso de sacrifícios animais, isto é fato!
E já que sacrifícios animais fazem parte dos fundamentos desta religião, a proibição por parte da Municipalidade de Piracicaba em tese, inviabilizaria a prática desta religião o que fere a Constituição Federal, e a Declaração Universal dos Direitos do Homem, que está obviamente acima dos direitos dos animais. (desculpem-me, os defensores ferrenhos dos direitos dos animais). Mesmo a Índia que considera verdadeiramente alguns animais como sendo sagrados (a vaca por exemplo) é signatária Da Declaração dos Direitos do Homem).
 
Só existe um probleminha em tudo isso: O Projeto de Lei do Vereador Laércio Trevisan Júnior, foi vetado pelo Prefeito Barjas Negri! O Prefeito que é do PSDB vetou a lei, alegando ser inconstitucional por ferir a liberdade de culto religioso.
 
Assista o vídeo onde o Vereador Trevisan reclama do Veto do Prefeito e apresenta seus argumentos:
 
Santa Inquisição na Câmara de Vereadores
 
O Vídeo foi postado no YouTube com o assustador título de “Santa Inquisição na Câmara de Vereadores”.
 
A pessoa que deu nome a este vídeo, não sabe o que foi a Santa Inquisição ou é um fanfarão.
 
“…candomblé, religião que é brasileira por criação…”
O Candomblé é uma religião brasileira? (não que isso importe no caso de cerceamento ou perseguição religiosa).
É! Tem origem em cultos africanos, porém não existe Candomblé na África. Lá cada região, comunidade, tribo etc.… cultua o seu próprio Orixá (Orisá para os puristas) aqui no Brasil reuniu-se os Orixás em um único credo ou culto. Na África o culto aos Orixás é feito através de sacerdotes masculinos os Babalorixás (baba significa pai) aqui no Brasil os fundamentos do Candomblé foram construídos basicamente por sacerdotisas mulheres as chamadas Iyalaorixá (ou como é mais comum Yalaorixá [ Iyá significa mãe ]). No Brasil o mais comum é que o Babalorixá se comunique com os Orixás através do jogo de búzios, já na África existe uma espécie de comunicação com uma entidade chamada Ifá (me perdoem os candomblecistas se eu me equivoco nesta definição).
 
Portanto, a origem do Candomblé é Africana, porém a religião é brasileira.
 
Voltando aos Vereadores.
 
Enviei e-mails para todos os Vereadores do Município de Piracicaba com o seguinte teor:
 
À Vossa Senhoria Vereador ----------------------------- :

Prezado senhor Vereador,

Meu nome é Jorge Costa, escritor e articulista do Blog O Rescator.

A pedidos de muitos praticantes da religião denominada Candomblé, estou escrevendo um artigo sobre a suposta proibição da pratica desta no município de Piracicaba.

A “notícia” em tom de denúncia circulando pela internet via e-mails, sites, blogs e principalmente no Facebook, dá conta de uma suposta proibição da prática do Candomblé no Município de Piracicaba.

Li (na internet) que o PL. 202/2010: PROJETO DE LEI Nº 202/10 – Na verdade proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba. Não tive acesso a um documento formal ou oficial sobre a lei.

Gostaria de obter de vossa senhoria uma cópia da lei (um documento oficial se possível via correio); gostaria de obter de vossa senhoria uma opinião um depoimento a respeito do assunto, como foi o seu voto se a favor ou contra; tanto um quanto o outro gostaria de obter do senhor uma justificativa.

Sendo fato a proibição de sacrifícios animais, como ficaria a prática da religião denominada Candomblé?

O senhor poderia escrever um “depoimento” para que eu pudesse publicar no Blog O Rescator?

Sendo fato a proibição de sacrifícios animais dentro do Município de Piracicaba, isso não inviabilizaria a prática desta religião e isso não seria um cerceamento religioso?

A título tão somente de ilustrar a situação:

É expressamente proibido fumar em locais fechados, porém é permitido o uso de cigarros acesos e se o caso for, é permitido fumar em rituais religiosos e também em espetáculos teatrais.

Qual a sua opinião nestas situações?

Minha intenção, é a busca da verdade, sua versão, opinião é fundamental nesta busca.

Um e-mail similar a este está sendo enviado ao Prefeito de Piracicaba; cópia deste e-mail estará sendo publicado no Facebook em meu perfil (Jorge Luiz da Costa) e divulgado em outras mídias sociais. Pois devo satisfações aos que me pediram para escrever a respeito do assunto.

Sua resposta na íntegra será igualmente publicada nos mesmos veículos.

Certo de obter uma resposta de Vossa Senhoria,

Jorge Costa
Rio de Janeiro, 14 de outubro de 2012.

Jorge Luiz da Costa (O Rescator)
 
E enviei um e-mail para o Prefeito Barjas Negri com o seguinte teor:
 
À Sua Excelência Prefeito de Piracicaba Barjas Negri:

Prezado Senhor Prefeito,

Meu nome é Jorge Costa, escritor e articulista do Blog O Rescator.

A pedidos de muitos praticantes da religião denominada Candomblé, estou escrevendo um artigo sobre a suposta proibição da pratica desta no município de Piracicaba.

A “notícia” em tom de denúncia circulando pela internet via e-mails, sites, blogs e principalmente no Facebook, dá conta de uma suposta proibição da prática do Candomblé no Município de Piracicaba.

Li (na internet) que o PL. 202/2010: PROJETO DE LEI Nº 202/10 – Na verdade proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba. Não tive acesso a um documento formal ou oficial sobre a lei.

Gostaria de obter de Vossa Excelência uma cópia da lei (um documento oficial se possível via correio); gostaria de obter de vossa senhoria uma opinião um depoimento a respeito do assunto.

Sendo fato a proibição de sacrifícios animais, como ficaria a prática da religião denominada Candomblé?

Vossa Excelência poderia escrever um “depoimento” para que eu pudesse publicar no Blog O Rescator?

Sendo fato a proibição de sacrifícios animais dentro do Município de Piracicaba, isso não inviabilizaria a prática desta religião e isso não seria um cerceamento religioso?

A título tão somente de ilustrar a situação:

É expressamente proibido fumar em locais fechados, porém é permitido o uso de cigarros acesos e se o caso for, é permitido fumar em rituais religiosos e também em espetáculos teatrais.

Qual a vossa opinião nestas situações?

Minha intenção, é a busca da verdade, a vossa versão, opinião é fundamental nesta busca.

Um e-mail similar a este está sendo enviado a todos os Vereadores de Piracicaba; cópia deste e-mail estará sendo publicado no Facebook em meu perfil (Jorge Luiz da Costa) e divulgado em outras mídias sociais. Pois devo satisfações aos que me pediram para escrever a respeito do assunto.

Vossa resposta na íntegra será igualmente publicada nos mesmos veículos.

Certo de obter uma resposta de Vossa Excelência ,

Jorge Costa
Rio de Janeiro, 14 de outubro de 2012.

Jorge Luiz da Costa (O Rescator).
 
De todos os e-mails enviados, só obtive resposta do Vereador
André Bandeira do  PSDB. Eis a resposta dele:
 
Bom dia Senhor Jorge
Todas as informações que deseja encontram-se no site da Camara de Vereadores de Piracicaba www.camarapiracicaba.sp.gov.br
Sobre uma resposta oficial da Camara por escrito peço que entre em contato com a Presidencia da Casa.
Att.
Andre

No Site da Câmara de Vereadores de Piracicaba encontrei um discurso do Vereador Trevisan Júnior, furioso com o veto do Prefeito ao seu Projeto de Lei.
 
Segue o discurso proferido pelo Vereador Laércio Trevisan Júnior no plenário da Câmara de Vereadores de Piracicaba; antes faz-se necessário esclarecer alguns pontos do discurso do Vereador: Ele faz referencia várias vezes a um episódio ocorrido na Cidade de São Paulo onde um "casarão" onde praticava-se rituais de Quimbanda foi multado, fechado e lacrado (com sua porta de entrada bloqueada com blocos de concreto) pela prefeitura de São Paulo, devido a: Barulhos altíssimos, Sacrifícios animais ocorridos em local não permitido (área residencial) e foram aplicados um total de seis multas totalizando cerca de R$ 30.000,00 que nunca foram pagas. Bom, após estes esclarecimentos, vamos ao discurso do Vereador:

|22/08/2011| COMO ALGUÉM PODE SACRIFICAR UM ANIMAL DESEJANDO O BEM? QUESTIONA TREVISAN
Com base em reportagem publicada no último dia 19 no jornal "Folha de S.Paulo", o vereador Laércio Trevisan Júnior (PR) criticou o sacrifício de animais em rituais religiosos e lamentou que uma lei de sua autoria, que proibiria tal prática em Piracicaba, tenha tido o veto do Executivo acatado. "Como pode haver bondade, pensamento positivo, num sacrifício? Como alguém pode sacrificar um animal, se lambuzar em sangue, desejando o bem para alguém?", questionou o vereador, na tribuna, durante reunião ordinária na noite desta segunda-feira (22). "Respeitar a religião é uma coisa, concordar com os maus-tratos é outra coisa. Eu não concordo com esse fato", completou o parlamentar.
Segundo a reportagem "Casarão é lacrado após sacrifício de animais na zona sul de SP", os rituais eram realizados entre 3h e 4h da manhã e eram frequentados por 20 a 50 pessoas que participavam de cultos de quimbanda. Tudo acontecia em um casarão de 522 metros quadrados, avaliado em R$ 2,5 milhões e localizado no Jardim Petrópolis, área nobre da capital paulista. "No local, dizem vizinhos e membros de associações de moradores, havia o sacrifício constante de animais. Até os lixeiros com quem a Folha conversou reclamaram dos restos mortais que tinham de recolher quase todos os dias", relata a reportagem. "As cantorias e o batuque dos atabaques eram misturados ao balir de cabras, ao bodejar de bodes, ao roncar de porcos e ao cacarejar de galinhas", afirma outro trecho.
Como as atividades religiosas aconteciam em área estritamente residencial o que é proibido pela legislação paulistana, o dono do casarão foi multado seis vezes. Até a publicação da reportagem, nenhuma das punições havia sido paga, gerando a abertura de um processo judicial.
Trevisan comparou o valor das multas aplicadas em São Paulo com o que ele propunha em Piracicaba. "Quando falamos em R$ 2 mil, na época acharam um absurdo. Cabe ressaltar que um dia essa cidade será pioneira nessa situação, mas não nessa gestão. Essa Câmara votou, ganhou, mas não levou.”
O vereador citou a Holanda como exemplo de nação em que o sacrifício de animais em rituais religiosos é vetado. "Em países mais avançados, essa proibição já existe. Cabe ressaltar que, com certeza, quando mudar a próxima gestão, apresentaremos novo projeto, vislumbrando que um novo prefeito não crie a dificuldade criada neste [mandato]", afirmou.(sic)
 
Finalizando o post:
 
A notícia circulando na internet é fato?
 
Não, não é.
 
Houve uma tentativa de proibição da prática do Candomblé em Piracicaba?
 
Não, não houve.
 
Houve uma tentativa de se proibir o sacrifício animal em rituais religiosos?
 
Sim, houve.
 
Isso inviabilizaria a prática do Candomblé no Município de Piracicaba?
 
Sim, inviabilizaria! E seria gravíssimo se o Prefeito não tivesse vetado o Projeto de Lei.
 
O que aconteceria se o Prefeito não tivesse vetado?
 
Nada! Nenhuma lei municipal pode ir contra a Constituição Federal, Lei Magna. Os Candomblecistas continuariam a praticar sacrifícios animais em seus rituais religiosos e contestariam qualquer multa na justiça e ganhariam com absoluta certeza.
 
Quanto “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÔ é nada mais nada menos que uma invenção (eu adoraria que fosse verdade, basta ler meus artigos neste blog sobre assuntos semelhantes). Não existe nada de verdade, foi mais uma das muitas besteiras que circulam na internet.
 
Como o caso de sacrifício animal é tratado em outros países?

Na Holanda é proibido sacrifício animal, ponto final. Não existe margem de negociação.
 
Na França, reportarei o que vi quando lá estive:
 
A liberdade religiosa é garantida, porém a saúde pública perturba o tempo todo, se houverem moscas atraídas pelos ritos, as pessoas envolvidas são multadas ou até presas e assim eles vão levando a vida.
 
Na Suíça, é proibido, não só o sacrifício animal, como também a construção de templos que “ofendam” a arquitetura local e é proibido inclusive o “chamamento” as orações por parte dos mulçumanos em seus minaretes (torres religiosas onde o sacerdote chama em voz alta os fiéis para as orações em voz alta.)
 
Os países europeus estão adotando a seguinte política, pensem bem antes de imigrar para este país, veja se sua religião pode ser praticada sem embaraços.
 
Espero ter contribuído para o esclarecimento da questão.
 
Um abraço a todos!
 
Adendo:
 
Em 30 de Outubro de 2012 às 16:10 recebi o seguinte e-mail:
 
Boa Tarde Jorge Luiz da Costa!
Gostaria de esclarecer que entrei nesta Casa de Leis em Maio de 2011, e por esse motivo não participei da Aprovação desse Projeto (PL 202/2010).
Indico que entre em contato com o Gabinete do Vereador Laércio Trevisan Júnior, para maiores esclarecimentos, pois o mesmo é o autor do projeto.
Atenciosamente,
Dirceu Alves da Silva
Veredaor - PPS

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Deus Qualifica os Escolhidos?

“… Deus não escolhe os qualificados, qualifica os escolhidos…”.biblia-da-prosperidade

Esta é uma frase muito em voga hoje em dia e uma moda que vai e volta. Não sei quantas vezes eu já publiquei (nos comentários dos leitores) no Blog O Rescator, esta frase: A Bíblia é clara: Deus não escolhe os qualificados… ou então: Você precisa ler mais a Bíblia: “… Deus não escolhe os qualificados…”  E por aí vai…

O Marcelo Crivella quando assumiu o cargo de Ministro da Pesca e Agricultura, para justificar assumir um cargo cuja função ele absolutamente é um ignorante, saiu com essa em seu discurso de posse:

- Muitas vezes, Deus não escolhe os mais qualificados, mas sempre qualifica os escolhidos.

Isso na presença de autoridades, imprensa, a Presidenta Dilma e DEUS.

Bom, se Deus quiser, Ele pode qualificar quem Ele quiser escolher quem Ele quiser; afinal Ele é Deus, O Todo Poderoso, O Altíssimo e neste cargo, superior a Ministro da Pesca e Agricultura. Ele na prática pode fazer o que quiser, pois afinal, Ele é “Aquele que é” como o próprio Deus se auto definiu: “EU SOU AQUELE QUE SOU”.

Graças a Deus, Marcello Crivella não é; e nem ele (Crivella) nem tele evangelista algum pode criar um versículo da Bíblia ao seu bel prazer.

A frase: “Deus não escolhe os mais qualificados, mas sempre qualifica os escolhidos", NÃO ESTÁ NA BÍBLIA! Em nenhuma parte dela; você pode ler as Sagradas Escrituras do Gênesis ao Apocalipse e não encontrará esta frase, nem uma frase parecida com essa: “Deus não escolhe os qualificados, mas qualifica os escolhidos”, não, não encontrará.

Onde surgiu esta frase então?

A frase, Deus não escolhe os qualificados, mas qualifica os escolhidos é na verdade atribuída a Albert Einstein! É, é isso mesmo, esta frase seria de Einstein!

A frase completa seria a seguinte:

"Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. Fazer ou não fazer algo só depende, de nossa vontade e perseverança.”

Bom, só para esclarecer, Albert Einstein nem era cristão, era judeu, (não era lá muito religioso, mas era judeu), ou seja, é no mínimo uma incongruência, dizer essa frase como sendo uma frase cristã, evangélica ou até mesmo bíblica de uma pessoa que nem mesmo acreditava em Jesus Cristo. Nada contra ao judaísmo, religião que eu respeito muito, mas convenhamos, uma pessoa que se diz evangélica citar uma frase, como sendo uma frase evangélica, sendo que o autor dessa frase nem ao menos acredita em Jesus “O Evangelho Personificado”, é no mínimo engraçado.

Talvez você queira um pouco mais de detalhes a respeito da origem da frase de Einstein; é atribuída a ele a seguinte historinha:

Conta certa lenda, que estavam duas crianças; patinando num lago congelado.

Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadas.

De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.

A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins; e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrar o gelo e libertar o amigo.

Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com as mãos tão frágeis!

Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:

- Eu sei como ele conseguiu.

Todos perguntaram:

- Pode nos dizer como?

- É simples. Respondeu o velho. Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz de fazer.

Então, Albert Einstein teria arrematado com a frase:

"Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos”. Fazer ou não fazer algo só depende, de nossa vontade e perseverança.

Olha, eu não posso garantir que Albert Einstein CRIOU a história ou a frase, ela é atribuída a Einstein, pode ser ou não assim como a frase tema deste artigo, particularmente eu acredito que isso faça parte das muitas histórias judaicas (muitas interessantíssimas e altamente edificantes) e Albert apenas deu o seu toque pessoal.

E como isso foi parar na boca dos evangélicos desavisados como sendo uma frase do Evangelho ou da Bíblia?

Isso eu sei responder.

Quando o pentecostalismo e o neopentecostalismo começaram a se proliferar no Brasil, principalmente após o advento da Igreja Universal do Reino de Deus, eles começaram a dar título de pastores e bispos no atacado, a pessoa mal sabia falar direito, escrevia mal ou tinham feito um curso de datilografia e zap! Virava pastor!

Logicamente, houve muita crítica do tipo:

Mas como um semianalfabeto deste pode ser pastor? (ou bispo, ministro etc.).

Alguém, (não tenho como dizer o nome) dentro da IURD saiu com essa frase: “Deus não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos”.

De onde a pessoa da IURD tirou essa frase?

Resposta: Da revista Seleções do Reader's Digest!

Esta revista é que publicava essas curiosidades (muitas sem nenhuma base, comprovação ou fonte a ser confirmada).

Pronto! Daí pra frente essa frase virou quase um versículo bíblico ou um “ditado bíblico”. A IURD começou a popularizar a frase em folhetinhos, chaveirinhos e marcadores de livros.

Para terminar, eu gostaria de salientar (antes que me cubram de pancadas nos comentários):

Deus, como O Todo Poderoso, pode fazer o que Ele quiser; se Ele quiser criar um tatu-bola com o nome de vuvuzela ou chaca-chaca-bum Ele também pode.

Se Ele quiser qualificar um idiota Ele também pode, mas em geral Deus não faz essas coisas. Existem muitos exemplos disto na Bíblia.