sábado, 20 de setembro de 2014

A Jerusalém Bíblica.

Um Resumo da História da Cidade Santa no Período Bíblico.
Muros de Jesrusalém Antiga
Parte Da Jerusalém Bíblica
 
A origem de seu nome é motivo de muita controvérsia: "visão de paz" (Jerônimo), "possessão hereditária de paz" (Adriano), "fundação de paz, de salvação" (Genésio). Alguns estudiosos já afirmaram ser "cidade do deus Salem" ou simplesmente "cidade da paz" ou ainda "legado da paz". Segundo um midrash (Bereshit Rabá), Abraão veio até a região e chamou a cidade de Shalem (Salem ou Salém); Shalem significa "completo" ou "sem defeito" ou "perfeita" ou ainda "cidade perfeita". Foi chamada de Jebus ou Jerbus (Yevus) pelos jebusitas (ou jebuseus).
Sacrifício de Isac no Monte Moriá
Abraão e Isaac no Monte Moriá
Em Jerusalém Abraão levou seu filho Isaac para ser sacrificado no Monte Moriá (Gênesis 22:2) e no Monte Moriá Davi comprou a eira do jebuseu Araúna por cinquenta siclos de prata (2 Samuel 24:24) e nesta eira construiu o templo. Dificilmente seria a mesma colina de que fala o Genesis no episódio de Abraão, o mais plausível é que fosse uma das colinas próximas.
 
Davi derrotou os jebuseus (ou Jebusitas) que ali viviam. Os jebuseus não pertenciam a qualquer das tribos de Israel o que foi muito conveniente para Davi, pois não desagradaria a nenhuma das tribos. (Davi que pertencia à tribo de Judá sucedeu a Saul, porém não era seu filho).
Domo da Rocha
O Domo da Rocha
 
Jerusalém desde o início passou a ser chamada de "Cidade Santa".
 
Assim que comprou a eira no Monte Moriá Davi começou a construção do Templo e logo entronizou a Arca da Aliança símbolo máximo da fé judaica no Sanctum Sanctorum o local mais sagrado e restrito do interior da construção (este local atualmente é ocupado pela Cúpula da Rocha ou Domo da Rocha Muçulmana que também é a Mesquita de Omar).
 
Este templo cujo início da construção foi iniciativa de Davi e terminado por seu filho Salomão é por assim dizer o 1º Templo (estudiosos costumam classificar as fazes "templárias" que tratam das fases de construção e suas posteriores reconstruções que ocorreram pelo fato de ter sido destruído e reconstruído mais de uma vez).
Reino de Israel Dividido
A Divisão do Reino de Israel
Com a morte do rei Salomão, filho de Davi o reino dividiu-se em dois, Jerusalém permaneceu como a capital do Reino de Judá (reino do sul), mas continuou a ser a capital espiritual de ambos os reinos (a capital do Reino de Israel o reino do norte passou a ser a Samaria).
 
O reino do norte que historicamente ficou conhecido pelo nome de reino de Israel foi invadido pelos assírios e os judeus foram derrotados; com isso 10 tribos de Israel desaparecem da história: Ruben, Simeão, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Efraim.
 
No Reino do Sul ou Reino de Judá permaneceram as três tribos remanescentes: Benjamin, Judá e Levi; deste momento em diante toda a saga judaica é baseada na história de personagens destas três tribos.
 
Jerusalém passou a ser conhecida como a capital do Reino de Judá. Só deste momento em diante é que os hebreus (israelitas) passaram a ser chamados de Judeus (obviamente em função do nome oficial de sua parte do reino que passou a ser Reino de Judá).
 
Em 597 a.C. Jerusalém foi tomada pelas forças de Nabucodonosor, muitos cidadãos de destaque foram enviados para o exílio, parte do tesouro do templo foi saqueado.
arca-da-alianca
A Arca da Aliança
 
O Reino de Judá sobreviveu com um rei "fantoche" (embora judeu) imposto pelos babilônios seu nome era Sedecias um jovem de pouco mais de 20 anos; nove anos após o início de seu reinado Sedecias lidera uma revolta judaica contra a dominação babilônica. Foi uma catástrofe para o povo de Judá. Nabucodonosor reagiu violentamente e em 586 a.C. Jerusalém cai após um cerco de 18 meses; desta vez o templo foi destruído e todo o seu tesouro foi saqueado. Até a Arca da Aliança desapareceu e nunca mais foi encontrada, seu paradeiro tornou-se um mistério, pois não existe registro de que os babilônios a tenham levado, a Arca entrou por assim dizer no reino das lendas e ficções e seu desaparecimento é motivo de estudo e investigação até hoje. Cidadãos comuns, trabalhadores especializados e até mesmo membros da aristocracia foram exilados para a Babilônia dessa vez como escravos. Os que ficaram tornaram-se mais tarde uma classe diferente de judeus, sem um líder temporal ou espiritual e sem seu templo para a adoração. O jovem rei Sedecias foi obrigado a assistir a morte de seus filhos antes de ter seus olhos arrancados.
 
Foram necessários setenta anos até que os judeus tivessem autorização para voltar a Judá e a Jerusalém.
 
Ciro o Grande, rei da Pérsia conquistou a Babilônia e libertou os judeus de seu exílio.
 
Liderados por Zorobabel começaram em massa a retornar para Judá e a Jerusalém que estava em ruínas, e logo começaram a reconstruir o templo financiado pelos próprios persas; os descendentes dos que ficaram em Judá e não foram para o exílio tentaram ajudar na reconstrução do templo e isso causou algumas desavenças, pois eles não se entendiam mais uns com os outros, essa nova classe de judeus eram os Samaritanos.
Santun Sanctorum
Sanctum Sanctorum
 
Em 516 a.C. o templo foi reconstruído, sem a sua glória e esplendor do tempo de Davi e muito menos de Salomão, mas ali estava ele.
 
O salão Sanctum Sanctorum (Santo dos Santos) o lugar mais interno e mais sagrado do templo onde ficava a Arca da Aliança tornou-se um salão vazio em homenagem e símbolo a sua própria ausência e perda; essa fase é considerada por muitos como sendo "o 2º Templo".
 
Jerusalém vive com certa tranquilidade sob o domínio Persa até que em 331 a.C. Alexandre o Grande derrota os persas na Síria, por conseguinte os domínios outrora da Pérsia passam a ser domínio Macedônio (grego). Jerusalém torna-se a capital da província grega na Judéia pois a Grécia tornou-se a potencia dominante da região. De uma maneira geral nesta época os conquistadores não intervinham demasiado nas religiões dos povos conquistados e Alexandre não fugiu muito a essa regra. Na verdade os judeus encontraram mecanismos mercantis que promoveram a sua prosperidade; muitos foram viver em outros países do império grego como, por exemplo, o Egito, porém sempre enviavam tributos anuais para a manutenção do Templo e isso fazia a cidade de Jerusalém progredir como um todo.
 
Com a morte de Alexandre, Jerusalém passa ao controle da dinastia Ptolomaica que passou a comandar o Egito.
 
Em 198 a.C o exército sírio de Antíoco III derrotou o Egito que acabou perdendo o controle da Judeia. As autoridades gregas que permaneceram em Jerusalém foram lentamente perdendo o controle administrativo, incluindo qualquer ingerência religiosa quanto aos judeus e seu templo; com isso os judeus foram perdendo igualmente sua liberdade religiosa e sua autoridade sobre o templo.
 
Em 168 a.C. Antíoco IV mandou colocar uma imagem de Zeus no Templo Sagrado dos Judeus, essa atitude por parte dos sírios causou uma revolta armada dos judeus, esta revolta foi liderada por Matatias e deu início a "era dos Macabeus".
 
Os Macabeus foram um grupo do exército judeu que assumiu o controle de parte do território de Israel que ainda estavam sob o controle de forças selêucidas (os Selêucidas eram uma espécie de Estado ou Império Helenista [gregos] que dominavam as terras conquistadas por Alexandre o Grande após a sua morte). Seus generais (remanescentes do exército de Alexandre) viviam em conflito pelo domínio da herança de conquistas. Dominaram boa parte da palestina mas foram derrotados pelos Macabeus. Os Macabeus fundaram a dinastia judaica dos Asmoneus e assim Judá volta a ser um Estado independente após 450 anos de dominação por povos diversos e Jerusalém volta a ser a sua capital.
 
Em 63 a.C. Roma invade a Judéia com o General Pompeu no comando dos exércitos. Jerusalém é conquistada mais uma vez.
 
Em 37 a.C. Judá é declarada província romana na Judéia. Herodes o Grande é empossado como "rei fantoche" sob o patrocínio de Roma. Dentre muitas obras exuberantes Herodes "reconstrói" (na verdade ele faz uma imensa reforma) o Templo de Salomão que se torna exuberante novamente e de certa forma até luxuoso.
Jesus e os Doutores da Lei
Jesus com os Doutores da Lei no Templo
 
Em 12 d.C. (aproximadamente) Jesus vai ao Templo por ocasião da Páscoa, perdeu-se de seus pais Maria e José e é encontrado discutindo com os doutores da Lei.
Jesus Expulsa Os Vendilhões do Templo
Jesus Expulsa os Vendilhões do Templo
 
 
 
Por volta do ano 30 d.C. Jesus adentra ao Templo de Jerusalém e expulsa os vendilhões do Templo.
 
De uma maneira geral Jesus passa seus últimos dez dias na terra em Jerusalém.
 
Pouco mais de dez anos após a morte de Jesus, Roma passa a enviar administradores bem menos tolerantes com os costumes e a religião judaica.
 
Em 66 d.C. os Zelotas (ou Zelotes) lideram uma sangrenta insurreição contra os romanos, libertam Jerusalém o que resulta em uma forte reação por parte de Roma; são enviadas tropas de Roma sob o comando do General Vespasiano (que mais tarde viria a ser Imperador de Roma) que vai lentamente trucidando os guerreiros judeus. Durante a campanha Vespasiano é substituído no comando das tropas por seu próprio filho o General Tito que finalmente retoma Jerusalém que ficou em ruínas e o templo é destruído. Sem seu templo a economia da cidade colapsou e sem recursos era impensável uma reconstrução e de fato nunca mais foi até os dias de hoje.
 
Nas colinas de Jerusalém foram estabelecidas imagens (ídolos ou estátuas) de deuses e deusas estrangeiras o que resultou em mais uma revolta, dessa vez liderada por Simão bar Kokhba (na história esta passagem ficou conhecida como a Terceira Revolta Judaica ou a Revolta de Bar Kokhba) foi sufocada pelas tropas romanas comandadas por Sexto Júlio Severo. Em uma nova tentativa, bar Kokhba conseguiu lentamente derrotar os soldados romanos de várias posições até tomar Jerusalém e chegou a proclamar a independência da Judéia, mas Roma reagiu e retomou Jerusalém.
 
Simão bar Kokhba retirou-se para a cidade-fortaleza de Betar onde resistiu até a fortaleza ser tomada pelos romanos.
 
O destino de Jerusalém desta vez mudou de forma drástica, além de destruída e praticamente arruinada, Roma através do Imperador Adriano mudou o nome de Jerusalém para Élia Capitolina e os judeus foram proibidos de entrar na Capital da Judéia que, aliás, teve também seu nome mudado para "Síria Palestina". Os judeus permaneceram proibidos de entrar na Cidade Santa pelos próximos 400 anos.
 
Jerusalém ou Élia Capitolina continuou sendo disputada, atacada, sitiada, destruída, incendiada,  e reconstruída pelo próximo milênio e meio até o século XX, porém fora do período bíblico.

8 comentários:

  1. olá grande jorge.

    obrigado pela aula.

    abçs do beto

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu é que agradeço sua deferência Beto. Muito Obrigado! Paz!

      Excluir
  2. Muito lindo esse lugar
    abrçs rah http://heyraah.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rayssa de Souza este artigo faz parte do Dicionário Bíblico O Rescator que em breve estará à venda.

      Excluir
  3. Muito bom recordar a historia.
    Deixo meu carinho e paz.
    http://reginaladydapaz.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Lady da Paz 90% do que eu escrevo é sobre história. Volte sempre tá?
      Paz!

      Excluir
  4. Lugar lindo, espero um dia conhecer. Flor, passa no meu blog pra conhecer, e vem participar do sorteio com 14 LANÇAMENTOS DA BEAUTY FAIR, boa sorte pra ganhar! http://makeolatras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bia Muniz Muito Obrigado por visitar o Blog O Rescator.
      Já estive em seu blog e sou seguidor dele.
      Paz!

      Excluir

Escreva seu comentário no espaço abaixo.
Obrigado.