terça-feira, 11 de novembro de 2014

A História de Papai Noel*

*Este artigo foi transformado em livro, aqui você tem apenas uma amostra. No livro você tem muito mais informações e imagens. Por todo o texto você encontrará botões onde você será direcionado para o site da editora, onde poderá adquirir um exemplar.

São Nicolau.

A história de Papai Noel está intrinsecamente ligada à história de São Nicolau.So-Nicolau-3_thumb1

São Nicolau Nasceu em Patara (Patera) na Grécia antiga sob o domínio de Roma (Ásia Menor) hoje pertencente à Turquia por volta do ano 300 d.C. Patara que segundo a lenda foi fundada por Patarus filho de Apolo foi cristianizada logo no início do movimento Cristão primitivo e foi berço de vários cristãos proeminentes, dentre eles, Nicolau.

Ruinas-do-Afiteatro-de-Patara-na-AtuO Império Romano ainda convivia com lutas de gladiadores em arenas e com perseguições constantes aos cristãos que para se proteger se reuniam em cavernas e catacumbas escavadas em montanhas fora dos olhos acusadores dos romanos. Necropole-da-Cidade-de-Mira-Atual-Tu[1]

 

Nicolau era filho de pais cristãos e muito ricos, e segundo lendas e tradições desde cedo apresentou características muito diferentes das outras crianças, era muito precoce em vários sentidos e muito cedo se dedicou a igreja, tornando-se diácono de sua comunidade e logo a seguir Padre do vilarejo de Patara.

Mapa-Patera-Patara_thumb1

Seus pais morreram em Patara quando ele ainda era muito jovem; reza a lenda que faleceram de alguma peste que acometeu a região o que deve ter marcado para sempre sua vida.

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Bispo Nicolau de Mira.Nicolau-Bispo-de-Mira-2_thumb1

Próximo a Patara existia a cidade de Mira (ou Myra atual Demre - Turquia), um importante núcleo cristão; o próprio Paulo de Tarso esteve lá pregando. Nesta cidade a Diocese procurava um novo bispo, pois o atual estava deixando a cidade. Em certa noite o Bispo viu uma imagem resplandecente ao fundo da igreja, o rosto desta imagem fulgurava tornou-se muito branco, brilhando como o Sol; o Bispo perguntou em voz alta:

- O que é isso? Quem representa essa figura?

E a voz de um Anjo respondeu:

- Este é Nicolau o próximo Bispo de Mira que você deve indicar...

E assim, com apenas 30 anos Nicolau tornou-se bispo de Mira.

Seu bispado ficou conhecido pelo seu senso de justiça, proteção aos inocentes e por sua imensa caridade.

 

A Lenda dos Presentes nas Meias.

As lendas e tradições contam que Nicolau o agora Bispo de Mira soube que um pai não tinha o dote para o casamento de sua filha mais velha e ele o ajudou furtivamente.

No século IV nos confins do Império Romano não ter o dote para viabilizar o casamento de uma filha era um pesadelo para os pais, significava que ela não se casaria e isso na cultura da época era uma calamidade familiar. Em um caso em particular, em Mira um pai cogitou vender sua filha como escrava ou para uma casa de prostituição, o que se tornaria uma coisa indigna.

Nicolau ao saber das dificuldades dessa família pegou moedas de ouro de seu espólio particular, envolveu em um lenço e jogou pela janela da casa onde a família passava por este tipo de infortúnio.

Lembrando que Nicolau era muito rico, não pelo seu cargo na igreja, mas sim por ser herdeiro da fortuna da família.

Aparentemente isso se repetiu algumas vezes (talvez três vezes) e em uma ocasião foi necessário que Nicolau repetisse mais de uma vez seu ato para que alcançasse a quantia do dote, pois a família possuía mais de uma filha; o pai em questão curioso para saber quem fazia aquela generosa oferta ficou escondido do lado de fora da casa à espera de seu benfeitor e foi assim que a notícia de sua caridade espalhou-se pela cidade e mais tarde por toda a região.

Nessa época e nesta região existia o hábito de colocar próximo a janela ou a uma espécie de lareira, meias e sapatos para secar do suor do dia ou quando estavam molhados pela chuva, e em alguns casos aconteceu que o lenço cheio de moedas caiu acidentalmente dentro dessas meias ou sapatos e nisso está a origem do costume natalino de colocar meias e ou sapatos na janela ou na lareira para que o Papai Noel deposite neles os presentes.

É claro que isso tornou o Bispo Nicolau de Mira famoso, mas ele também ficou muito conhecido como um defensor formidável da fé cristã.

 

Bispo Nicolau no Concílio de Niceia.

Ele esteve presente no Concílio de Niceia em 325 d.C. que fora convocado pelo Imperador Constantino, isto não é lenda ou tradição, pois fizeram uma lista de presença e seu nome estava nela.

Este que possivelmente foi o maior e mais importante concílio do cristianismo durou meses e discutiu-se de tudo, desde quais livros fariam parte do que mais tarde ficou conhecidoagbook_promote_1 como Bíblia até sobre a divindade de Jesus: afinal, Jesus era Deus ou não?

O Bispo Nicolau defendia fervorosamente que Jesus era Deus além de Filho do pai Todo Poderoso, mas houve quem discordasse como o Bispo Arius de Alexandria (ou Ário) [alguns historiadores não o consideram um bispo, mas sim um presbítero, Arius defendia uma doutrina sobre a Trindade que ficou conhecida por arianismo, hoje suas doutrinas são consideradas heréticas pela igreja católica] e os debates continuavam tendo Arius sempre negando a divindade de Jesus; farto disso e sem mais palavras para defender o aspecto divino de Jesus, Nicolau levantou-se foi até Arius e o esbofeteou.

 

São Nicolau o Bispo de Mira.

Nicolau-Bispo-de-Mira_thumb1Após o Concílio de Niceia O Bispo Nicolau de Mira em vida já era aclamado como santo protetor das virgens e da fé e era amplamente chamado de São Nicolau.

Veneravam sua imagem acreditando em sua intervenção: donos de comércio, advogados e seus clientes, mulheres solteiras ou casadas semNicolau-e-os-marinheiros_thumb filhos e uma classe trabalhadora que mais tarde foi muito importante na propagação na fé em São Nicolau; os marinheiros; também pescadores e comerciantes marítimos acreditavam que São Nicolau aparecia do nada em noites tormentosas e tinha o poder de apaziguar tormentas.

 

O Milagre dos três jovens.

Existem duas versões para um dos milagres mais famosos atribuído a São Nicolau:

A primeira diz que três estudantes que estavam a caminho da escola foram assaltados, raptados e esquartejados pelo zelador de uma hospedaria, o zelador teria colocado as partes dos jovens em um barril de conservas e repentinamente Nicolau apareceu na hospedaria e ordenou que os meninos se levantassem. Milagrosamente os pedaços das crianças foram se juntando e lentamente foram saindo do barril um após o outro.

Trs-Jovens-Injustiados_thumb1

A segunda diz que três jovens cristãos estavam para ser decapitados injustamente, eles foram vendados e postos de joelhos e quando estavam com a lâmina preste a decepar suas cabeças Nicolau chegou repentinamente e com muita energia evitou a execução. agbook_promote_1

 

A Morte de São Nicolau.

A-Morte-de-So-Nicolau_thumb1Nicolau morreu no dia 6 de dezembro de 343 d.C., seu corpo foi colocado em um caixão e depositado em um túmulo na Cidade de Mira e segundo testemunhas um líquido perfumado escorria de seu ataúde e uma gota deste perfume tinha o poder de curar toda e qualquer doença.

Peregrinos começaram a vir ao seu túmulo em busca de cura: cegos, paralíticos, pessoas com febre, Cruzados em busca de proteção (depois das batalhas levavam frascos do perfume o que ajudou também a espalhar a história do santo) o que só fez aumentar mais ainda a fama de São Nicolau que já não era pequena.

 

O Roubo do Corpo de São Nicolau.

Mais de 700 anos após a sua morte, no ano 1087 seu corpo foi roubado por 62 marinheiros italianos incentivados por comerciantes e levado para a cidade de Bari na Itália, o roubo foi relatado pelo monge beneditino Miséforo alguns dias depois do ocorrido (um monge foi testemunha ocular e chegou a ser ameaçado por um dos marinheiros de nome Mateu).

Em Bari foi erguida uma imponente catedral para guardar seus restos mortais e o nome de cada marinheiro que participou do roubo teve em homenagem seus nomes gravados nas paredesBaslica-de-So-Nicolau-em-Bari-Italia[2] do templo. Mateu e seus companheiros fizeram um contrato com a igreja para receber uma porcentagem dos lucros obtidos com a presença dos restos mortais de São Nicolau, mas a igreja não cumpriu sua parte.

Mesmo tendo sido fruto de um roubo espetacular, todos os anos até hoje os cidadãos de Bari encenam nas ruas a chegada em um barco do caixão contendo o os restos mortais do santo. São Nicolau de Mira passou a ser conhecido como São Nicolau de Bari.

Nesta época havia um grande comércio de relíquias (muitas delas falsas) de santos; por vários motivos, por exemplo, atrair peregrinos e suas respectivas ofertas e doações, crença na proteção que as relíquias proporcionavam a quem as possuía, poderia ser um colecionador particular, uma família rica, um rei ou até mesmo uma cidade. No caso dos restos mortais de São Nicolau dois são os motivos, atrair peregrinos (e mesmo turistas) para a cidade de Bari na Itália e também por uma crença fervorosa dos marinheiros em receber bênçãos e proteção do santo.

Os restos mortais de São Nicolau foram depositados em uma tumba provisória e em 1089 foi transferido para seu lugar definitivo um novo sepulcro inteiramente feito de mármore.

 

Abertura do Túmulo de São Nicolau.

Só no século 20 em 1953 a tumba de mármore foi aberta para uma reforma e enquanto isso seus ossos foram Crnio-de-So-Nicolau-Faltando-uma-par[2]minunciosamente examinados por ordem do Vaticano, tudo foi fotografado, radiografado, diagramado em escala, medido, registrado e documentado em um longo dossiê; para dizer a verdade faltam muitos ossos no esqueleto de São Nicolau, porém do crânio só falta uma pequena parte da articulação do maxilar do lado esquerdo.

 

Reconstrução da Face de São Nicolau.

O patologista forense italiano nDr-Franco-Introna_thumb1ascido na própria cidade de Bari Franco Introna teve acesso a toda a documentação sobre os restos mortais de São Nicolau e enviou todas as informações a Dra. Caroline Wilkinson da Universidade de Manchester na Inglaterra, uma especialista em reconstrução facial (ela é muito conhecida de documentários históricos e arqueológicos tipo BBC, Discovery Channel, National Geographic Channel etc.); com esses dados em mãos logo a Dra. Caroline Wilkinson percebeu que o esqueleto era de um homem de baixa estatura com cerca de 1,67m e que sua cabeça era desproporcionalmente grande em relação ao seu corpo, ou seja, Nicolau era baixinho e cabeçudo.

Dra-Caroline-Wilkinson_thumb1A Dra. Caroline também fez uma descoberta interessante; São Nicolau teve o nariz quebrado em algum momento da vida o que fez com que ficasse com o nariz torto após a cicatrização do ferimento e calcificação óssea.

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Face-de-So-Nicolau-Restaurada-Defini[1]

 

A Popularidade de São Nicolau.

Antes de seu corpo ter sido roubado de Mira, os marinheiros já tinham espalhado por todos os portos da Europa os milagres e façanhas de São Nicolau e agora com seu corpo depositado em uma cidade italiana sua fama cresceu imensamente desde os confins da Turquia até os centros mais movimentados da Europa Central, o que fez com que ele se tornasse o santo mais popular do mundo na época; na Idade Média, existiam mais igrejas erigidas em seu nome que todos os Apóstolos de Cristo juntos.

 

São Nicolau e outros "Papais Noéis".

Conforme a fama de Nicolau foi se espalhando pela Europa, suas façanhas foram se mesclando com outros fenômenos culturais, espirituais, religiosos e folclóricos de lugares onde já existia alguma entidade semelhante em comportamento e feitos, assim como foram acrescidos para que se formasse aWodan-voando-em-sua-carruagem_thumb1 figura do Papai Noel. Uma dessas figuras foi Wodan (Woden), da cultura pré-cristã germânica; dentre muitos poderes e atribuições desta divindade uma delas era sobrevoar em uma carroça (ou biga) puxada por caprinos as casas dos aldeões e fazendeiros, observando como tratavam de seus filhos, de suas esposas, seus empregados e de seus animais; como fazendo uma lista para parabenizar os bons e se não punia os maus, esses não recebiam suas bênçãos.

 

Inspirações de São Nicolau.

Inspiradas nos feitos de São Nicolau, um grupo de freiras francesas do século XII tiveram a iniciativa de distribuir pequenas porções de doces, frutas e nozes para as crianças no dia de São Nicolau 6 de dezembro, pelo voto de silêncio e humildade das freiras elas não revelavam sua atitude (ao menos não em público) e logo se criou mais uma lenda ou um mito, o de que era o próprio São Nicolau que distribuía as frutas para as crianças.

Temos aqui já algumas características que juntas formariam mais tarde a figura de Papai Noel: presentes em meias ou sapatos, uma biga ou carroça voadora com uma entidade que verificava uma vez por ano quem foi bom ou mau.

 

O Protestantismo e São Nicolau.

Martin-Lutero_thumb1No século XVI ocorreu o advento do protestantismo e seu líder Martinho Lutero não gostava de toda a atenção dada a São Nicolau, ele achava que toda essa veneração, idolatria etc. deveria pertencer e ser direcionada apena a Jesus Cristo. A imagem e maiores referências a São Nicolau foram as primeiras expurgadas do protestantismo por Lutero.

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Martinho Lutero e seu movimento seriam muito prejudiKris-Kindle_thumb1cados com o banimento de São Nicolau da cultura cristã, principalmente junto às crianças, então ele fomentou a crença em outra lenda alemã, a de Kriss Kindle o Jesus Criança ou Menino Jesus que voava e distribuía presentes, só que ao invés de ser festejado no dia de São Nicolau 6 de dezembro passou a ser festejado no dia que se comemora o nascimento de Jesus, 25 de dezembro.

Com a chegada dos primeiros peregrinos protestantes nos Estados Unidos o nome mudou ligeiramente para Kris Kringle.

 

"Papais Noéis" pelo Mundo.

A esta altura já existiam personagens semelhantes pelo mundo, baseado na história de São Nicolau ou não:

Na Inglaterra ele era chamado de Father Christmas (Pai Natal) e fazia parte de um antigo festival de inverno, ele se vestia comFather-Christmas-Vestindo-Verde-Simb[2] uma túnica verde simbolizando a primavera que estava prestes a chegar; ele também era conhecido como Sir Christmas, Old Father Christmas ou também como Old Winter. Nesta forma, ele não dava presentes às crianças, nem descia pela chaminé, apenas batia na porta da casa das pessoas, festejava com elas e com os moradores das casas vizinhas e depois seguia para bater na casa de outras pessoas. O Espírito de Natal, presente no livro de Charles Dickens “Christmas Carol” (1843) é baseado nas festividades de Father Christmas; ele é descrito como um homem grande, de barba ruiva (vermelha) e vestia um manto forrado com uma pele verde (ou tingida de verde).

Na França existia já o Père Noël, porém com uma Pre-Nol-o-Papai-Noel-Frans_thumb1indumentária ligeiramente diferente do Papai Noel que conhecemos hoje. A Primeira vez que se tem notícia na literatura francesa sobre este personagem, é encontrado em 1855 nos escritos de George Sand, porém sem referência ao Menino Jesus e as festividades de Natal como hoje em dia; vale notar uma enorme resistência dos franceses do pós-guerra quando o Plano Marshall norte-americano tentou impor o estereótipo de Santa Claus, estadunidense ao povo francês. O Papai Noel Francês igualmente distribuía presentes para as crianças.La-Befana-o-Papai-Noel-da-Italia_thu

No folclore italiano existia La Befana uma espécie de bruxa que também é identificada como “uma velha senhora pobre” que ia de casa em casa procurando o Menino Jesus e distribuía presentes às crianças boas que esperavam por ela.

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Jultomte-O-Gnomo-de-Natal-o-Papai-No[2]Na Suécia a tarefa de distribuir presentes no Natal era a de um gnomo chamado Jultomten que quer dizer literalmente “Gnomo do Natal”.

Na Holanda era o próprio São Nicolau que distribuía os presentes, pois um país tão ligado ao mar os marinheiros nunca esqueceram seu padroeiro de tantos séculos, e lá ele era chamado de Sinterklaas (de onde vem o nome em inglês Santa Claus).

So-Nicolau-Distribuindo-Presentes-na[1]

Quando os exploradores e protestantes holandeses chegaram ao Novo Mundo (EUA), eles levaram junto os seus hábitos e costumes e é claro todas as referências culturais, folclóricas e religiosas de São Nicolau ou em holandês Sinterklaas (Sinter = Santo e Klaas = Nicolau).

 

São Nicolau e Papai Noel no Novo Mundo.

Nos Estados Unidos, até a declaração de independência, o costume ficou restrito a comunidade de imigrantes holandeses e seus descendentes. Após a independência norte-americana, os EUA queriam se desvencilhar da cultura inglesa e com isso buscaram novos símbolos, novos costumes, uma nova moda; tudo que se referia à Inglaterra era velho e fora de moda, fizeram de tudo para se livrar das tradições do Velho Mundo; isso fez com que se voltasse para Nova York que possuía uma forte concentração de Holandeses em geral com costumes bem diferentes dos ingleses.

O escritor norte-americano Washington Irving em seu livro washington-Irving_thumb1A History of New York (A História de Nova York) escreveu muito sobre a cultura holandesa e deu um destaque especial a Sinterklaas a versão holandesa de Papai Noel.

 

Finalmente Papai Noel.

Até então, a imagem de São Nicolau ainda era a de um “santo” e não a do Papai Noel como a conhecemos hoje, alegre, meio bonachão e gordinho.

Clement-Clarke-Moore_thumb1Em 1823 Clement Clarke Moore, professor de literatura da Universidade de Columbia, entusiasmado com a proximidade do Natal e estando dentro de uma carruagem em meio à neve inspirou-se para criar um poema que mudaria completamente a imagem de Papai Noel de “santo” para tornar-se o personagem que conhecemos hoje em dia.

agbook_promote_1O título deste poema é: Uma Visita de São Nicolau (A Visit From Saint Nicholas).

Bom, o poema é grande e foi escrito em inglês do século 19, vou colocar ao final do texto três versões: a original em inglês, uma tradução livre que tenta manter um equilíbrio entre licenciosidade de tradução, manter o espírito do original e tentar obter um pouco do lirismo e uma terceira versão que foi traduzida com a intenção de manter o aspecto poético mesmo que se perca um pouco do original.

O fato é que este poema de Clement Clarke Moore foi o marco entre São Nicolau e o Papai Noel. Ele praticamente deixa de ser um personagem religioso e passa a ser muito mais pagão (no sentido de não religioso), ele é descrito como sendo alegre e rechonchudo, pela primeira vez é mencionaUma-Visita-de-So-Nicolau-Capa_thumb1do o trenó e as renas incluindo seus nomes: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donner e Blitzen; igualmente, pela primeira vez é descrito que ele entra nas casas pela chaminé.

Hoje em dia o poema de Clemente More Uma Visita de São Nicolau (A Visit From Saint Nicholas), é muito mais conhecido pelo título: A Noite na Véspera de Natal (Twas the night before Christmas) é possivelmente o poema de maior sucesso no mundo e foi traduzido para diversos idiomas e dialetos com versões muitas vezes direcionadas a cultura local e com interpretações diversas. Fez tanto sucesso que causou um frenesi no que tange a poemas, livros, folhetins, peças de teatro sobre o tema Papai Noel e o Natal.

Katherine Lee Bates criou “Mamãe Noel” ("Mrs. Santa Claus" esposa de papai Noel) em seu poema Goody Papai Noel em um passeio de trenó (1889).

Louisa May Alcott uma escritora voltada ao público infanto-juvenil autora do famoso livro Little Women (Mulherzinhas no título em português) inseriu em sua obra o texto Feliz Natal.

Na verdade na onda do sucesso do poema de Clemente Moore todos que tinham algum nome literário e ou precisavam de dinheiro escreviam ou compunham sobre o tema Papai Noel e o Natal e em geral vendiam como água. Isso acabou por despertar o interesse em sua aparência; sua barba era branca, mas qual o tamanho? O quão gordo ele era? Qual a cor de suas vestes?

Thomas-Nast_thumb1Vários ilustradores aventuraram na tarefa e cada um representava Papai Noel de uma forma diferente, uns com características ainda muito religiosas, já outros com característica por demais pagã. Até que um dia o ilustrador Thomas Nast do jornal Harpers Weekely o desenhou pela primeira vez em uma edição natalina do periódico (ele desenvolveu esta função de 1860 a 1890) e Nast tinha uma verdadeira paixão por desenhar a figura de Papai Noel e a cada edição ele deixava sua imaginação criar imagens que hoje nos são muito familiares, na edição em que ele desenhou Papai Noel com um telescópio é que ficou definido que ele morava no Polo Norte, Nast também mostrou pela primeira vezPapai-Noel-com-Telescpio-Ilustrao-de[2] o grande livro com a lista das crianças que deveriam ganhar presentes e quando o telefone se popularizou, ele desenhou Papai Noel recebendo pedidos pelo novo invento e até mesmo desenhou Papai Noel em sua casa.

Bispo-Nicolau-com-chapu-de-bispo-e-CA imagem que remete a São Nicolau como Bispo Nicolau de Mira nota-se a austeridade já na imagem de Papai Noel percebe-se a alegria e satisfação; o chapéu virou um gorro caído e descontraído já o cajado virou um pirulito.

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Papai Noel até fumava Papai-Noel-em-sua-Casa_thumbum cachimbo de haste longa e fina estilo holandês. Sim! Papai Noel fumava! E fumou por muitas décadas.

 

 

 

 

As Cartas Para Papai Noel.

Não se sabe ao certo quando e como começou a tradição deVirginia-OHanlon_thumb1 escrever cartas para o Papai Noel, mas conta-se a história da jovem Virginia O'Hanlon de 8 anos que duvidou da existência de Papai Noel e escreveu uma carta para o jornal The New York Sun em 1897, a história é que ela conversou sobre a existência ou não de Papai Noel com o próprio pai e ele brincou ou retrucou algo como: “... Se o Jornal The Sun publicar a notícia, é porque ele existe...”; então Virgínia escreveu uma cartinha para a redação do jornal:

Carta-de-Virginia-OHanlon_thumb- Querido Editor

- Eu tenho 8 anos de idade.

- Alguns dos meus amiguinhos dizem que Papai Noel não existe.

- Por favor, diga-me a verdade; Papai Noel existe?

Virginia O'Hanlon - 115 West Ninety Fifth Street

E o Jornal The Sun rapidamente respondeu:

(trecho traduzido do original)

“... Virginia, seus amiguinhos estão errados, eles estão afetados pelo ceticismo, em uma época cética. Eles não acreditam exceto se eles podem ver...”.

“... Sim Virgínia, Papai Noel existe; ele existe tanto quanto o amor, a generosidade e a devoção existem...”.

Leia no Livro A História do papai Noel à venda na agbook.

8 comentários:

  1. Uma história muito linda de São Nicolau. Já que ele tinha dinheiro suficiente pra ajudar as pessoas, aproveitou pra deixar elas muito felizes e realizadas.
    Até hoje dia 6 de dezembro é dia de São Nicolau, onde ainda várias familias colocam um par de meias na janela, pra ganhar umas balinhas.
    Obrigado por compartilhar tão bela história!!
    Abs
    Salésio

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    1. Muito Obrigado Salésio Muller! Volte mais vezes ao Blog O Rescator!
      Paz!

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  2. Bom dia JORGE.
    Uma historia bela, onde as crianças adoram e aceitam em sua mentalidade infantil que existe, tudo isso é muito bonito, mas o mesmo tempo triste para algumas crianças que nunca souberam o que é papai Noel.
    Por isso eu sempre tive a minha posição sobre este assunto, por que eu nunca acreditei em papai Noel.
    Mas não tiro a esperança de quem acredita, até tolero, pois a opinião é minha e eu a guardo para mim não tenho o direito de colocar esta historia na mente de uma criança, pois não quero acabar com seus sonhos.
    Agradeço por compartilhar.
    Abraços sempre.
    ClaraSol.

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    Respostas
    1. Clara Sol meu intuito não foi de fazer ou não fazer apologia ao mito do Papai Noel apenas eu senti vontade de escrever a história de como surgiu a lenda ou o mito. Este artigo virou um livrinho chamado A História do Papai Noel e nele, logo nas primeiras páginas eu escrevi um diálogo assim: um menino me perguntou por que eu iria escrever sobre o Papai Noel, se ele não existe? Eu respondi que a Mãe Natureza também não existe e todos escrevem e falam sobre ela o tempo inteiro e ninguém reclama.
      Feliz Natal! Paz!

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  3. Boa noite JORGE,
    Esquece quem eu sou. Voce me proporcionou momentos táo especiais, que estou com dificuldade de transmitir meus sentimentos. Eu que me dediquei tanto para levar ás criancinhas, na época de Natal, espetáculos que lhes proporcionassem certeza da existëncia do amor, da fraternidade, e de que há esperan;a na humanidade, gostaria de voltar aos meus 40 anos para aproveitar este trabalho e transformá-lo em teatro infantil e livro para levar a tantas pessoas quanto eu pudesse envolver. Parabéns.

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  4. OLÁ GRANDE JORGE.

    EXISTINDO OU NÃO, PAPAI NOEL EXISTE EM CADA CRIANÇA. PARABÉNS AO GRANDE JPRGE.
    ABÇS DO BETO

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  5. Muito rica & bonita,essa postagem!

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Obrigado.