quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Legião Romana.


Um Pouco sobre a Maior Máquina de Guerra do seu Tempo.
Legião Romana
Formação de Ataque "Tartaruga" Legião Romana

Legião era uma unidade de infantaria que era a base de todo o exército romano tanto na República como no Império.

O que seria mais tarde a legião romana existia desde que Roma ainda era apenas uma cidade-estado, porém a legião por assim dizer, aquela forma organizacional, disciplinada e que entrou para a história, foi criada a partir de uma reforma feita pelo general romano Mario (Caio Mário 157 a.C. – 86 a.C) por volta do ano 100 a.C.

Qualquer cidadão romano poderia participar desde que tivesse menos de 27 anos e soubesse ler e escrever.

Cidadãos não romanos poderiam participar do exército, porém apenas como força de auxílio, entretanto durante o período conhecido como “principado” (30 a.C. - 284 d.C.), não cidadãos fizeram parte do exército regular junto a Legião.
Denário de Prata
Denário de Prata efígie de Júlio César

Cada soldado firmava um contrato de 25 anos recebiam 225 denários por ano até o tempo de Tito Flávio que aumentou essa quantia para 300 denários por ano e não houve mudança até o período de Septímio Severo, que aumentou o salário para 500 denários ao ano e ao se aposentar recebiam uma quantia em dinheiro (cerca de 3.000 denários [época de Júlio César] e uma terra fértil como forma de "aposentadoria").
Denário: moeda padrão. Continha de 3,5 a 5 gramas de prata dependendo da época (as quantidades de ouro e de prata foram diminuindo significativamente ao longo dos anos). Representaria mais ou menos o salário de um dia de trabalho de um trabalhador não especializado.

O General Mario também padronizou a Legião, tanto em desempenho quanto em equipamentos.
 
A quantidade de seus componentes poderia variar conforme a batalha ou a guerra ou mesmo com a época, mas podemos considerar números da ordem de 1.000 a 8.000 homens podendo chegar até 10.000 soldados em alguns casos; porém o mais comum eram legiões de 4.800 a 5.000 homens acrescidos de aproximadamente 1.000 homens como pessoal de apoio.

Cada legião era dividida em 10 coortes, ou seja, cerca de 500 soldados que por sua vez era dividido em centúrias também chamada manípulo (centúria é relativo a 100); estes 100 homens eram comandados por um centurião; cada centúria era dividida em pelotões de 10 homens que dividiam a mesma barraca, em geral comiam juntos e desta forma tornavam-se mais íntimos.

Em uma campanha militar típica, uma caravana imensa e muito lenta acompanhava as legiões com suprimentos militares, bagagens e víveres e um legionário marchava com um equipamento que pesava entre 30 e 40 quilos; além de todos os equipamentos de combate ainda levava uma série de ferramentas destinada à construção e estadia no campo de batalha (pá, corda, cobertor, uma pequena panela e muito mais).

As legiões Romanas eram incrivelmente agressivas e ao mesmo tempo organizadas e disciplinadas. No início de suas atuações suas táticas e estratégias de ataque eram inspiradas nada mais nada menos que nas ações de guerra de Alexandre o Grande, possivelmente o maior general de todos os tempos.
Os romanos eram mestres em copiar e ou absorver tudo que era bom (ou conveniente) de outras culturas seja de povos conquistados ou de imigrantes; e com armamentos e equipamentos militares não era diferente, suas armas clássicas eram aprimoramentos de material absorvido ao longo dos séculos.
Elmo De Legionário Romano
Elmo de Legionário Romano

Alguns desses armamentos eram:

O elmo ou capacete (galae) desenhado para proteger não só a cabeça, como também as orelhas boa parte da face e a nuca (os capacetes com crista de pelos eram reservados aos suboficiais e oficiais).
Armadura Lorica Segmentata
Armadura Lorica Romana


A armadura lorica segmentada (lorica hamata ou lorica segmentata,)  que protegia boa parte do corpo.
 
 
 
Escudo Scutum
Escudo de Um Legionário Romano







O escudo (scutum) era retangular, curvo de forma a envolver parte do corpo, com cerca de 66 cm de largura e 1,15 m de altura, podendo ter pequenas variações desde que protegesse do joelho ao queixo e mais de 1 cm de espessura; era construído de um tipo de madeira compensada revestido de couro, com as bordas e o centro revestido de bronze ou de ferro.
 
Pilo a Lança romana
A Lança Pilo Romana

A lança romana "pilo" (pillum), com dois modelos básicos: pesada (pillum para espetar e furar) e uma ligeira (chamada "hasta" para ser arremessada contra os inimigos) era dividida em três partes: a ponta perfurante ligada a uma haste de ferro e um prolongamento feito de madeira; quando  bem arremessada partia-se em duas ficando uma parte cravada no escudo o que tirava a mobilidade do mesmo em geral sendo descartado pelo inimigo.
Punhal Pugio Romano
O Punhal "Pugio"

Adaga ou punhal usado do lado esquerdo um punhal (pugio), para cortar e furar.
 
 
 
 





Gladio a Espada Romana
A Espada Gladio (gladius)
Espada; diferentemente de qualquer outra na história das espadas era usada do lado direito; a famosíssima “gladio” (gladius), uma espada curta, era usada ao lado direito, pois com o braço esquerdo era usado o escudo (em qualquer outro caso usa-se a espada do lado esquerdo da cintura caso você seja destro; para ao desembainhar já estar em posição de ataque ou defesa), a gladio com cerca de 60 cm, tinha dois gumes muito afiados, não era uma espada para combate espada versus espada ela era usada para perfurar o inimigo, cortar partes de seu corpo ou golpear os escudos inimigos; era também conhecida como Gladius Hispaniensis por ser uma lâmina de combate adaptada após combates na Península Ibérica que à época era chamada pelos romanos de Hispânia (mais de 1500 anos depois parte da região passou a chamar-se Espanha); a gladio tornou-se tão emblemática que gerou a palavra "glande", "gladiador" e "digladiar". O mundo antigo nunca tinha visto uma máquina de guerra como o exército romano e durante ao menos três ou quatro séculos desde a sua criação nenhum exército se comparou aos exércitos de legionários.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Quem Eram Os Filisteus?

Os Filisteus.
Filisteus
Guerreiro Filisteu

Basicamente tudo ou quase tudo que se sabe sobre eles está na Bíblia e por mais cético que um estudioso seja é nela que se obtém a maior parte das informações deste povo que existiu na antiguidade.

A Bíblia é repleta de referências aos Filisteus, destaco algumas:
Deuteronômio capítulo 2 versículo 23, Amós capítulo 9 versículo 7 e Jeremias capitulo 47 versículo 4.

A origem dos filisteus é motivo de controvérsia; as informações na Bíblia demonstram que teriam se originado de Casluim, o qual teria sido um dos filhos de Mizraim, patriarca dos egípcios, e neto de Cam (filho de Noé).
Prisioneiros Filisteus Egípcios
Prisioneiros filisteus libertados
Templo Medinet Habu - Egito

Fora da Bíblia, temos alguns relatos egípcios e neste caso a primeira notícia que se tem sobre os filisteus surge sobre os "Povos do Mar” * (ou Os Povos que Vieram do Mar) que teriam surgido do mar através do Delta do Nilo causando enorme destruição.

Alguns estudiosos consideram os Filisteus uma parcela de egípcios que teriam sido expulsos e retornaram tempos mais tarde para o Egito na forma de invasores, por isso muitos consideram como sendo egípcia a sua origem.

Desde o tempo de Abraão os Filisteus vinham tentando penetrar na região de Gerara (junto com a Cidade de Gaza formavam os limites Sul de Canaã), mas só conseguiram seu intento efetivamente por volta de 1.200 a.C. Isso motivado pela invasão dos dóricos em Caftor (Caftor-Creta a ilha de Creta e cidade onde os filisteus habitavam) chegaram a penetrar o Egito de forma muito violenta, mas foram repelidos e encontraram abrigo na região costeira da Palestina.

A Filisteia pode ser definida como sendo a região de Sehor que compreendia a costa da Palestina entre as cidades de Jope (importante porto da Judéia hoje chamado Jafa) e Gaza (importante cidade filisteia que fazia parte da Pentápolis Filistéia que era um conjunto de cinco cidades, a saber: Asdode (Ashdod), Ascalão (Ashcalon), Ecrom (Ecron), Gaza e Gate (Gath) [sendo Gate a maior]).

Era dividia em três regiões: o sul (Negeb), a região de planície e a região montanhosa. As principais cidades da Filisteia eram: Gerara, Gezer, Tamnata, Siceleg, Gob, Gebeton, Jope, Laquis e Sar.

O povo Filisteu era como uma confederação de reinos (como na Grécia antiga), as regiões tinham sua própria capital com um rei independente. Provavelmente a "confederação" agia em conjunto em caso de guerra. As capitais eram: Gaza, Ascalon, Azoto, Ecron e Gate.

Os hebreus sempre consideraram os filisteus como estrangeiros, não tinham origem semita e nem adotavam a circuncisão; além disso, os Filisteus prestavam culto a divindades como Baal e a Astarot.
Filisteus Combatendo o Egito
Escultura retratando a beligerância
entre Egípcios e Filisteus

As evidências mostram que os filisteus eram belicosos; esculturas egípcias exibem os filisteus combatendo as tropas de Ramsés II (incluindo batalhas navais). Aparentemente mais tarde abandonaram as práticas de guerras marítimas, na Bíblia só temos informações sobre batalhas terrestres.

Seu exército era dividido em: carros falcados (alguns usam a palavra "falcatos") que eram bigas com ponteiras ou lâminas cortantes no eixo, cavalaria e infantaria. Eram ótimos guerreiros e deram muito trabalho para os hebreus especialmente no tempo de Samuel e Sanção. Só com Davi é que finalmente os hebreus conseguiram enfraquecê-los militarmente de uma forma mais efetiva.

Davi tomou a cidade de Get e as suas principais fortalezas.

O Rei Salomão conseguiu dominar praticamente toda a Filisteia o que causou uma reação por parte dos Filisteus remanescentes e depois da morte de Salomão retomaram a cidade de Gebeton.

No tempo dos Macabeus Jônatas destruiu a cidade filistéia de Azoto.

No tempo de Jesus os filisteus já estavam muito misturados etnicamente com os judeus.

* “O povo do mar" como sendo os filisteus é uma teoria bem aceita hoje em dia, mas não existe comprovação.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Quem Foi Judas Tadeu?

Judas Tadeu

Apóstolo, escolhido por Jesus.

Pouco se sabe a respeito deste discípulo e existe muita confusão e polêmica a respeito de sua origem, paternidade e relação de parentesco com Jesus. saojudastadeu

Na Bíblia ele é citado na lista dos apóstolos escolhidos por Jesus:

Em Mateus capítulo 10 versículo 3 ele aparece apenas como Tadeu; em Lucas capítulo 6 versículo 16 ele é mencionado como Judas irmão de Tiago; em João capítulo 14 versículo 22 ele aparece no local onde é realizada a Santa Ceia, é mencionado como um discípulo chamado “... Judas (não o Iscariotes)..."; em Marcos capítulo 3 versículo 18 assim como no Evangelho Segundo Mateus ele também é mencionado como sendo apenas Tadeu.

Em alguns manuscritos de Mateus capítulo 10 versículo 3 a descrição do nome do apóstolo aparece da seguinte forma: “... e Lebeu, apelidado Tadeu..." ou “... Lebeus, de sobrenome Tadeu...".

Lebeu ou Lebus vem de “leb” que significa "cordato" ou "cordial” ou ainda "bondoso". Já Tadeu, vem da palavra siríaca “Thad” que quer dizer: "Misericordioso" ou "Benigno".

A associação dos nomes Judas + Tadeu aconteceu por várias razões, uma delas são estes manuscritos chamados de "logias de Mateus" que trazem o nome Lebeu (ou Lebeus) associado ao nome Tadeu, por exclusão, não faltando referência a nenhum outro apóstolo o apelido ou sobrenome Tadeu sobrou para unir-se ao nome Judas.

Nos quatro evangelhos, no entanto o nome composto Judas Tadeu não aparece. Outro motivo para a confusão foi o fato de o nome Judas estar sempre associado ao traidor de Jesus Cristo e como os evangelhos foram escritos décadas após a morte de Jesus é plausível que os redatores, copistas e tradutores tentassem de alguma forma evitar a utilização do nome "Judas".

Alguns estudiosos, no entanto defendem a teoria de que Judas e Tadeu seriam pessoas diferentes e para que a quantidade de apóstolos não se elevasse para 13 alegam que um teria morrido ou desmerecido a láurea de ter sido escolhido durante o ministério e dessa forma um teria substituído o outro.

A falta de informações sobre Judas Tadeu criou uma situação que levou a várias especulações algumas delas beirando ao ridículo.

Judas poderia ser irmão de Jesus?

Em Marcos capítulo 6 versículo 3 isso fica claro, o que não fica claro é se seria Judas Tadeu, pois o evangelista só menciona o nome Judas. O mesmo acontece em Mateus capítulo 13 versículo 55, é mencionado Judas, porém não está associado ao sobrenome (ou apelido) Tadeu, no mesmo capítulo (13) no versículo 57 Jesus refere-se a este Judas (e também a Tiago, José e Simão) como sendo a sua família, no entanto da mesma forma não fica claro se este Judas seria Judas Tadeu.

Judas Irmão de Tiago está presente no Cenáculo após a crucificação do Mestre (Atos dos Apóstolos capítulo 1 versículo 13).

Existe também a Epístola de Judas que em seu enunciado vem assinada como sendo  de  "Judas irmão de Tiago" e (servo de Jesus Cristo) cuja autoria é igualmente controversa como quase tudo que se refere a esse personagem; alguns católicos acreditam ou acreditavam que o autor da carta é o apóstolo Judas "Tadeu", mas é quase certo que não.

Hoje em dia mesmo setores mais conservadores da Igreja Católica Apostólica Romana aceitam que: “... Tiago Menor e Tadeu, também chamado Judas eram parentes próximos a Jesus pelo lado materno..." (nota de rodapé da Vulgata em Mateus 10:3).

O que se sabe sobre Judas "Tadeu" vem de escritos fora da Bíblia; as principais fontes de informações são: Eusébio que é considerado o "pai da história do cristianismo" e bispo de Cesaréia no século IV; ele nos diz que no episódio "bodas de Caná" onde Jesus faz seu primeiro milagre transformando água em vinho a pedido de sua mãe, o noivo ou esposo seria Judas Tadeu. Euzébio também diz que Jesus enviou Judas Tadeu ao rei Abgar da Mesopotâmia a fim de orar pela sua cura.

O escritor e cronista do século II Hegésipo diz que Judas Tadeu era filho de Cleofás (também conhecido por Alfeu), um dos discípulos de Emaús, marido de Maria Cleofás, segundo ele Cleofás era irmão de José (esposo de Maria, mãe de Jesus) e teria ainda como filhos, os apóstolos Simão Menor e Tiago Menor. Daí esses serem chamados de “irmãos de Jesus” e como em hebraico não existe uma palavra que defina "primos" ficaram conhecidos como irmãos do Mestre.

Jerônimo o tradutor da Bíblia dos originais em grego e em hebraico para o latim, reconhece o apóstolo Judas como sendo Judas Tadeu.

A tradição (sem confirmação alguma) conta que Judas Tadeu foi morto junto com Simão a golpes de bastão, lanças e machados. Tudo teria acontecido no dia 28 de outubro de 70.

Seus restos mortais, foram guardados primeiro no Oriente Médio e depois na França, nos dias atuais são venerados em Roma, na Basílica de São Pedro.

sábado, 20 de setembro de 2014

A Jerusalém Bíblica.

Um Resumo da História da Cidade Santa no Período Bíblico.
Muros de Jesrusalém Antiga
Parte Da Jerusalém Bíblica
 
A origem de seu nome é motivo de muita controvérsia: "visão de paz" (Jerônimo), "possessão hereditária de paz" (Adriano), "fundação de paz, de salvação" (Genésio). Alguns estudiosos já afirmaram ser "cidade do deus Salem" ou simplesmente "cidade da paz" ou ainda "legado da paz". Segundo um midrash (Bereshit Rabá), Abraão veio até a região e chamou a cidade de Shalem (Salem ou Salém); Shalem significa "completo" ou "sem defeito" ou "perfeita" ou ainda "cidade perfeita". Foi chamada de Jebus ou Jerbus (Yevus) pelos jebusitas (ou jebuseus).
Sacrifício de Isac no Monte Moriá
Abraão e Isaac no Monte Moriá
Em Jerusalém Abraão levou seu filho Isaac para ser sacrificado no Monte Moriá (Gênesis 22:2) e no Monte Moriá Davi comprou a eira do jebuseu Araúna por cinquenta siclos de prata (2 Samuel 24:24) e nesta eira construiu o templo. Dificilmente seria a mesma colina de que fala o Genesis no episódio de Abraão, o mais plausível é que fosse uma das colinas próximas.
 
Davi derrotou os jebuseus (ou Jebusitas) que ali viviam. Os jebuseus não pertenciam a qualquer das tribos de Israel o que foi muito conveniente para Davi, pois não desagradaria a nenhuma das tribos. (Davi que pertencia à tribo de Judá sucedeu a Saul, porém não era seu filho).
Domo da Rocha
O Domo da Rocha
 
Jerusalém desde o início passou a ser chamada de "Cidade Santa".
 
Assim que comprou a eira no Monte Moriá Davi começou a construção do Templo e logo entronizou a Arca da Aliança símbolo máximo da fé judaica no Sanctum Sanctorum o local mais sagrado e restrito do interior da construção (este local atualmente é ocupado pela Cúpula da Rocha ou Domo da Rocha Muçulmana que também é a Mesquita de Omar).
 
Este templo cujo início da construção foi iniciativa de Davi e terminado por seu filho Salomão é por assim dizer o 1º Templo (estudiosos costumam classificar as fazes "templárias" que tratam das fases de construção e suas posteriores reconstruções que ocorreram pelo fato de ter sido destruído e reconstruído mais de uma vez).
Reino de Israel Dividido
A Divisão do Reino de Israel
Com a morte do rei Salomão, filho de Davi o reino dividiu-se em dois, Jerusalém permaneceu como a capital do Reino de Judá (reino do sul), mas continuou a ser a capital espiritual de ambos os reinos (a capital do Reino de Israel o reino do norte passou a ser a Samaria).
 
O reino do norte que historicamente ficou conhecido pelo nome de reino de Israel foi invadido pelos assírios e os judeus foram derrotados; com isso 10 tribos de Israel desaparecem da história: Ruben, Simeão, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Efraim.
 
No Reino do Sul ou Reino de Judá permaneceram as três tribos remanescentes: Benjamin, Judá e Levi; deste momento em diante toda a saga judaica é baseada na história de personagens destas três tribos.
 
Jerusalém passou a ser conhecida como a capital do Reino de Judá. Só deste momento em diante é que os hebreus (israelitas) passaram a ser chamados de Judeus (obviamente em função do nome oficial de sua parte do reino que passou a ser Reino de Judá).
 
Em 597 a.C. Jerusalém foi tomada pelas forças de Nabucodonosor, muitos cidadãos de destaque foram enviados para o exílio, parte do tesouro do templo foi saqueado.
arca-da-alianca
A Arca da Aliança
 
O Reino de Judá sobreviveu com um rei "fantoche" (embora judeu) imposto pelos babilônios seu nome era Sedecias um jovem de pouco mais de 20 anos; nove anos após o início de seu reinado Sedecias lidera uma revolta judaica contra a dominação babilônica. Foi uma catástrofe para o povo de Judá. Nabucodonosor reagiu violentamente e em 586 a.C. Jerusalém cai após um cerco de 18 meses; desta vez o templo foi destruído e todo o seu tesouro foi saqueado. Até a Arca da Aliança desapareceu e nunca mais foi encontrada, seu paradeiro tornou-se um mistério, pois não existe registro de que os babilônios a tenham levado, a Arca entrou por assim dizer no reino das lendas e ficções e seu desaparecimento é motivo de estudo e investigação até hoje. Cidadãos comuns, trabalhadores especializados e até mesmo membros da aristocracia foram exilados para a Babilônia dessa vez como escravos. Os que ficaram tornaram-se mais tarde uma classe diferente de judeus, sem um líder temporal ou espiritual e sem seu templo para a adoração. O jovem rei Sedecias foi obrigado a assistir a morte de seus filhos antes de ter seus olhos arrancados.
 
Foram necessários setenta anos até que os judeus tivessem autorização para voltar a Judá e a Jerusalém.
 
Ciro o Grande, rei da Pérsia conquistou a Babilônia e libertou os judeus de seu exílio.
 
Liderados por Zorobabel começaram em massa a retornar para Judá e a Jerusalém que estava em ruínas, e logo começaram a reconstruir o templo financiado pelos próprios persas; os descendentes dos que ficaram em Judá e não foram para o exílio tentaram ajudar na reconstrução do templo e isso causou algumas desavenças, pois eles não se entendiam mais uns com os outros, essa nova classe de judeus eram os Samaritanos.
Santun Sanctorum
Sanctum Sanctorum
 
Em 516 a.C. o templo foi reconstruído, sem a sua glória e esplendor do tempo de Davi e muito menos de Salomão, mas ali estava ele.
 
O salão Sanctum Sanctorum (Santo dos Santos) o lugar mais interno e mais sagrado do templo onde ficava a Arca da Aliança tornou-se um salão vazio em homenagem e símbolo a sua própria ausência e perda; essa fase é considerada por muitos como sendo "o 2º Templo".
 
Jerusalém vive com certa tranquilidade sob o domínio Persa até que em 331 a.C. Alexandre o Grande derrota os persas na Síria, por conseguinte os domínios outrora da Pérsia passam a ser domínio Macedônio (grego). Jerusalém torna-se a capital da província grega na Judéia pois a Grécia tornou-se a potencia dominante da região. De uma maneira geral nesta época os conquistadores não intervinham demasiado nas religiões dos povos conquistados e Alexandre não fugiu muito a essa regra. Na verdade os judeus encontraram mecanismos mercantis que promoveram a sua prosperidade; muitos foram viver em outros países do império grego como, por exemplo, o Egito, porém sempre enviavam tributos anuais para a manutenção do Templo e isso fazia a cidade de Jerusalém progredir como um todo.
 
Com a morte de Alexandre, Jerusalém passa ao controle da dinastia Ptolomaica que passou a comandar o Egito.
 
Em 198 a.C o exército sírio de Antíoco III derrotou o Egito que acabou perdendo o controle da Judeia. As autoridades gregas que permaneceram em Jerusalém foram lentamente perdendo o controle administrativo, incluindo qualquer ingerência religiosa quanto aos judeus e seu templo; com isso os judeus foram perdendo igualmente sua liberdade religiosa e sua autoridade sobre o templo.
 
Em 168 a.C. Antíoco IV mandou colocar uma imagem de Zeus no Templo Sagrado dos Judeus, essa atitude por parte dos sírios causou uma revolta armada dos judeus, esta revolta foi liderada por Matatias e deu início a "era dos Macabeus".
 
Os Macabeus foram um grupo do exército judeu que assumiu o controle de parte do território de Israel que ainda estavam sob o controle de forças selêucidas (os Selêucidas eram uma espécie de Estado ou Império Helenista [gregos] que dominavam as terras conquistadas por Alexandre o Grande após a sua morte). Seus generais (remanescentes do exército de Alexandre) viviam em conflito pelo domínio da herança de conquistas. Dominaram boa parte da palestina mas foram derrotados pelos Macabeus. Os Macabeus fundaram a dinastia judaica dos Asmoneus e assim Judá volta a ser um Estado independente após 450 anos de dominação por povos diversos e Jerusalém volta a ser a sua capital.
 
Em 63 a.C. Roma invade a Judéia com o General Pompeu no comando dos exércitos. Jerusalém é conquistada mais uma vez.
 
Em 37 a.C. Judá é declarada província romana na Judéia. Herodes o Grande é empossado como "rei fantoche" sob o patrocínio de Roma. Dentre muitas obras exuberantes Herodes "reconstrói" (na verdade ele faz uma imensa reforma) o Templo de Salomão que se torna exuberante novamente e de certa forma até luxuoso.
Jesus e os Doutores da Lei
Jesus com os Doutores da Lei no Templo
 
Em 12 d.C. (aproximadamente) Jesus vai ao Templo por ocasião da Páscoa, perdeu-se de seus pais Maria e José e é encontrado discutindo com os doutores da Lei.
Jesus Expulsa Os Vendilhões do Templo
Jesus Expulsa os Vendilhões do Templo
 
 
 
Por volta do ano 30 d.C. Jesus adentra ao Templo de Jerusalém e expulsa os vendilhões do Templo.
 
De uma maneira geral Jesus passa seus últimos dez dias na terra em Jerusalém.
 
Pouco mais de dez anos após a morte de Jesus, Roma passa a enviar administradores bem menos tolerantes com os costumes e a religião judaica.
 
Em 66 d.C. os Zelotas (ou Zelotes) lideram uma sangrenta insurreição contra os romanos, libertam Jerusalém o que resulta em uma forte reação por parte de Roma; são enviadas tropas de Roma sob o comando do General Vespasiano (que mais tarde viria a ser Imperador de Roma) que vai lentamente trucidando os guerreiros judeus. Durante a campanha Vespasiano é substituído no comando das tropas por seu próprio filho o General Tito que finalmente retoma Jerusalém que ficou em ruínas e o templo é destruído. Sem seu templo a economia da cidade colapsou e sem recursos era impensável uma reconstrução e de fato nunca mais foi até os dias de hoje.
 
Nas colinas de Jerusalém foram estabelecidas imagens (ídolos ou estátuas) de deuses e deusas estrangeiras o que resultou em mais uma revolta, dessa vez liderada por Simão bar Kokhba (na história esta passagem ficou conhecida como a Terceira Revolta Judaica ou a Revolta de Bar Kokhba) foi sufocada pelas tropas romanas comandadas por Sexto Júlio Severo. Em uma nova tentativa, bar Kokhba conseguiu lentamente derrotar os soldados romanos de várias posições até tomar Jerusalém e chegou a proclamar a independência da Judéia, mas Roma reagiu e retomou Jerusalém.
 
Simão bar Kokhba retirou-se para a cidade-fortaleza de Betar onde resistiu até a fortaleza ser tomada pelos romanos.
 
O destino de Jerusalém desta vez mudou de forma drástica, além de destruída e praticamente arruinada, Roma através do Imperador Adriano mudou o nome de Jerusalém para Élia Capitolina e os judeus foram proibidos de entrar na Capital da Judéia que, aliás, teve também seu nome mudado para "Síria Palestina". Os judeus permaneceram proibidos de entrar na Cidade Santa pelos próximos 400 anos.
 
Jerusalém ou Élia Capitolina continuou sendo disputada, atacada, sitiada, destruída, incendiada,  e reconstruída pelo próximo milênio e meio até o século XX, porém fora do período bíblico.

sábado, 13 de setembro de 2014

NASCIDOS ANTES DE 1986*

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhasandando de bicicleta de bebê eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo, altamente tóxicas, que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas à prova de crianças, ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas numa boa.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes, Mertiolatecotoveleiras e joelheiras, e olha que Merthiolate ardia mais do que ácido!
Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos de segurança e airbags, ir no banco da frente era um bônus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não de garrafa, que na época nem vendia.

menina-bebendo-agua-da-mangueira-agua-potavel

Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e outras porcarias mas dificilmente engordávamos porque estávamos sempre loucos para brincar na rua com os amigos.
Partilhávamos garrafas e copos com dezenas de colegas e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos1 e depois carrinho-de-rolima-2andávamos a grande velocidade pela rua mais íngreme, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar algum tipo de freio.

Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
Não tínhamos Play Station, X Box, nada de 100 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, celulares, computadores, DVD, Chat na Internet.
A TV pegava no máximo Globo, SBT e Manchete! 2
Tínhamos amigos e para vê-los era só ir pra rua.
Caíamos de muros e de árvores, nos cortávamos, até partíamos ossos, apertávamos as campainhas dos vizinhos, fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
Tudo isso sem ninguém processar ninguém!
Íamos a pé para casa dos amigos.
Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamosindo para a escola que a mamãe ou o papai nos levassem.
Criávamos jogos com simples paus e bolas.
Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem.
Eles estavam era do lado da lei.
Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.
És um deles?jogo de taco
Parabéns!
Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças!!!
Para todos os outros que não têm a idade suficiente, pensei que gostariam de ler acerca de nós.
Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho… E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.
A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades que nasceram em 1986, ou depois, chamam-se “jovens”!
Nunca ouviram “we are the world”.We-Are-The-World
Para vocês sempre houve uma só Alemanha e um só Vietnã.
O HIV sempre existiu.
Os CD’s sempre existiram.
O Michael Jackson sempre foi branco.
MichaelJacksonPara eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo foi um Deus da dança.
Acreditam que “Missão impossível” e “As Panteras” são filmes da atualidade.
Não conseguem imaginar a vida sem computadores.John Travolta
Não acreditam que houve televisão preto e branco e quem tinha era rico.
Agora vamos ver se estamos ficando velhos:
1. Entendes o que está escrito acima e sorri?
2. Precisas dormir mais depois de uma noitada?
3. Os teus amigos estão todos casados?
4. Se surpreende ao ver crianças tão a vontade com computadores?
5. Se lembra da novela “Dancin' Days"?
6. Encontra amigos e falas dos bons e velhos tempos?
7. Vai encaminhar este texto para outros amigos porque achas que vão gostar?
Se a resposta é COM CERTEZA para a maioria dos, SIM, ESTAMOS VELHOS (heheheh)…
Mas tivemos uma infância maravilhosa.
*Autor: Maro Mannes.

1 Rolimã ou Roda de Bilha em alguns lugares.

2 No caso do Rio de Janeiro durante muitos anos só tínhamos a Rede Globo e a TV Tupi, mais tarde TV Manchete, antes da TV Manchete o Rio de Janeiro permaneceu um bom tempo com apenas a TV Globo e a TVE (TV Educativa).